{"id":12196,"date":"2013-01-07T00:00:00","date_gmt":"2013-01-07T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/zeca-dirceu-assume-compromisso-de-criacao-de-simbolo-historico-com-comunidade-ucraniana-de-guarapuava\/"},"modified":"2024-12-10T18:13:28","modified_gmt":"2024-12-10T21:13:28","slug":"zeca-dirceu-assume-compromisso-de-criacao-de-simbolo-historico-com-comunidade-ucraniana-de-guarapuava","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/zeca-dirceu-assume-compromisso-de-criacao-de-simbolo-historico-com-comunidade-ucraniana-de-guarapuava\/","title":{"rendered":"Moralismo ajuda a esconder a lei"},"content":{"rendered":"<p>Os ataques a Jos&eacute; Geno&iacute;no chegaram a um ponto escandaloso e inaceit&aacute;vel.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nV&aacute;rios observadores se colocam no direito de fazer uma distin&ccedil;&atilde;o curiosa. Dizem que a decis&atilde;o de Geno&iacute;no em assumir o mandato para o qual foi eleito por 92 000 votos pode ser legal mas &eacute; imoral.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nMe desculpem. Mas &eacute; uma postura &nbsp;de ditadorzinho, que leva a situa&ccedil;&otilde;es perigosas e inspira atos violentos. Tamb&eacute;m permite decis&otilde;es arbitr&aacute;rias e seletivas. Pelo argumento moral, procura-se questionar direitos que a lei oferece a toda pessoa. Isso &eacute; imoral.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nN&atilde;o surpreende que essa vis&atilde;o tenha produzido &nbsp;grandes trag&eacute;dias, na hist&oacute;ria e na vida cotidiana.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nIsso porque os valores morais podem variar de uma pessoa para outra mas a lei precisa valer para todos.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nVoc&ecirc; pode achar que aquele livro sobre n&atilde;o sei quantos tons de cinza &eacute; uma obra imoral mas n&atilde;o pode querer que seja proibido por causa disso. Por que? Porque a Lei garante a liberdade de express&atilde;o como um valor absoluto.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nPara ficar num exemplo que todos lembram. Os estudantes de uma faculdade paulista que agrediram e humilharam uma aluna que foi &agrave;s&nbsp; aulas de mini saia muito mini tamb&eacute;m se achavam no direito de condenar o que era legal mas lhes parecia imoral.&nbsp; Vergonhoso. Isso sempre acontece quando se pretende dizer que o moral precisa ser o legal.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nPara come&ccedil;ar, quem acha muita imoralidade da parte de Geno&iacute;no deveria olhar para o lado em vez de exagerar na indigna&ccedil;&atilde;o.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nEm seis Estados brasileiros o Superior Tribunal de Justi&ccedil;a, a segunda mais alta corte do pa&iacute;s, tenta licen&ccedil;a para processar governadores e n&atilde;o consegue avan&ccedil;ar na investiga&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o consegue nem apurar as acusa&ccedil;&otilde;es que o STJ considera s&eacute;rias.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nPor que? Porque as Assembleias Legislativas n&atilde;o autorizam. Curiosidade: n&atilde;o h&aacute; &nbsp;&rdquo;petistas aparelhados&rdquo; &nbsp;envolvidos. Entre os 6 governadores, cinco s&atilde;o tucanos e um &eacute; do PMDB. Quantos s&atilde;o imorais nesse time? E os ilegais?&nbsp; Vai saber.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO que est&aacute; em jogo, nos Estados? O princ&iacute;pio do artigo 55 da Constitui&ccedil;&atilde;o, aquele que reserva ao Congresso o direito de decidir pela cassa&ccedil;&atilde;o (ou n&atilde;o) de deputados e senadores. S&atilde;o os representantes eleitos que podem cassar os representantes do povo &ndash; e apenas eles.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nMas &eacute; curioso que ningu&eacute;m fala em imoralidade neste caso.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nPergunto: cad&ecirc; o abaixo assinado, uma den&uacute;ncia contra &ldquo;esse pol&iacute;ticos&rdquo; ? Cad&ecirc; as marchadeiras de botox e cabelo tingido? Onde ficaram nossos moralistas de punho cerrado? Onde est&atilde;o os cronistas do cronstragimento, os marqueteiros da &ldquo;imagem&rdquo; dos pol&iacute;ticos?<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nSer&aacute; que voltamos (ou nunca sa&iacute;mos?) &agrave; l&oacute;gica dos dois mensal&otilde;es, o do PT e o do PSDB-MG?<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nA Constitui&ccedil;&atilde;o reconhece os tr&ecirc;s poderes e n&atilde;o reconhece, de forma alguma, qualquer hierarquia entre eles.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nE a&iacute; cabe a pergunta: se as Assembleias Legislativas podem impedir a abertura de uma investiga&ccedil;&atilde;o sobre governadores, por que o Congresso n&atilde;o tem o direito de decidir, como manda a Constitui&ccedil;&atilde;o, o destino de quatro deputados?&nbsp; H&aacute; uma diferen&ccedil;a de princ&iacute;pio, uma vis&atilde;o de mundo?<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nOu &eacute; a velha par&oacute;quia pol&iacute;tica do pa&iacute;s ?<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nNo caso dos governadores e deputados, a prefer&ecirc;ncia &eacute; t&atilde;o descarada que nem se abre uma investiga&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o vamos julgar e depois absolver. N&atilde;o. Nem se come&ccedil;a o jogo.&nbsp;N&atilde;o custa recordar de novo. A Lei diz que o mandato de um deputado s&oacute; pode ser cassado por decis&atilde;o do Congresso. N&atilde;o &eacute; interpreta&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o &eacute; princ&iacute;pio gen&eacute;rico.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&Eacute; texto da lei. &Eacute; t&atilde;o claro como dizer que o &nbsp;Brasil n&atilde;o pode fabricar bomba at&ocirc;mica. Ou que o racismo &eacute; crime e &eacute; inafian&ccedil;&aacute;vel. Ou que a licen&ccedil;a-maternidade deve durar quatro meses.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO jurista Pedro Serrano, especialista em Direito Constitucional, disse aqui mesmo neste blogue que essa prerrogativa &eacute; um dos elementos b&aacute;sicos da separa&ccedil;&atilde;o entre os poderes, defini&ccedil;&atilde;o que separa a Rep&uacute;blica da Monarquia.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nEmbora diversos ministros do Supremo tenham feito elogios demorados &agrave; Constitui&ccedil;&atilde;o do Imp&eacute;rio &ndash; entre outros tra&ccedil;os t&iacute;picos, ela tratava os escravos como coisas &ndash; desde 1899 o pa&iacute;s vive sob um regime republicano. O retorno &agrave; monarquia foi derrotado em plebiscito, junto com o parlamentarismo, lembra?<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nTeve gente que levou os descendentes de Pedro II e da Princesa Isabel para percorrer o pa&iacute;s, na esperan&ccedil;a de que algum fantasma do passado contribu&iacute;sse para melhorar o &nbsp;marketing eleitoral da monarquia.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nMas o Supremo considerou por 5 votos a 4 que tem o direito de cassar os mandatos dos deputados condenados pelo mensal&atilde;o. Muitos juristas &ndash; os mesmos que os donos da moral de hoje costumam ouvir quando lhes interessa&nbsp; &mdash; consideram que foi uma decis&atilde;o que atravessou essa divis&atilde;o entre poderes.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nNum plen&aacute;rio que em situa&ccedil;&otilde;es normais inclui onze votos, cinco ministros acharam-se no direito de questionar um artigo expl&iacute;cito da Lei Maior. Quatro ficaram contra essa decis&atilde;o.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nEm qualquer caso, n&atilde;o custa lembrar que, como est&aacute; estabelecido, a Constitui&ccedil;&atilde;o s&oacute; pode ser modificada por&nbsp; uma emenda constitucional, com o voto de dois ter&ccedil;os &ndash; e n&atilde;o maioria simples &ndash; dos parlamentares, que s&atilde;o os representantes eleitos do povo. N&atilde;o &eacute; debate moral. &Eacute; determina&ccedil;&atilde;o legal.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nPor que ela diz isso? Porque esse artigo 55 &eacute; coerente com o artigo 1, aquele que diz que &ldquo;todo poder emana do povo, que o exerce atrav&eacute;s de seus representantes eleitos.&rdquo;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nUma decis&atilde;o do Supremo deve ser cumprida e tem for&ccedil;a de lei, diz &nbsp;o Ministro da Justi&ccedil;a.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nMas o que se faz quando, por 5 votos a 4, se estabelece uma diferen&ccedil;a clamorosa, uma contradi&ccedil;&atilde;o com a pr&oacute;pria Constitui&ccedil;&atilde;o?<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nN&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel ser simpl&oacute;rio nem empregar argumentos de autoridade. A menos, claro, que se pretenda criar um novo tipo de autoritarismo.Durante o Estado Novo, o Supremo autorizou que a militante comunista Olga Ben&aacute;rio fosse enviada para a morte num campo de concentra&ccedil;&atilde;o nazista.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nSeria imoral e ilegal tentar impedir a entrega de Olga Ben&aacute;rio por todos os meios e recursos que poderiam preservar sua vida, sua dignidade e mesmo a filha que levava em seu ventre, vamos combinar.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nEm 1964, o Supremo aceitou a tese de que a presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica ficara vaga depois que Jango deixou o pa&iacute;s e deu posse &agrave; ditadura militar. Legal? Moral? Ou ilegal e imoral?<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nEm 2010, o Supremo decidiu por 7 votos a 2, que s&oacute; o Congresso poderia modificar a Lei&nbsp; de Anistia. Com isso,&nbsp; as investiga&ccedil;&otilde;es sobre torturas e execu&ccedil;&otilde;es perderam uma base legal importante.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nPergunto: vamos proibir os jovens que denunciam torturadores nas opera&ccedil;&otilde;es esculacho, e n&atilde;o se rendem a uma decis&atilde;o que &ndash; sem entrar no debate se correta ou n&atilde;o &ndash; envolve uma op&ccedil;&atilde;o pela impunidade?<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nVamos chamar a PM para dar porrada? (Quando ela n&atilde;o estiver perseguindo estudantes que portam maconha, o que lei diz que &eacute; legal em certa quantidade mas que muita gente considera imoral e por isso aprova todo tipo de repress&atilde;o, at&eacute; sem base legal).<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nMais ainda. Vamos silenciar procuradores que, teimosamente, ainda procuram brechas para colocar os respons&aacute;veis por crimes contra a humanidade na cadeia, lembrando que a Constitui&ccedil;&atilde;o diz que a tortura n&atilde;o &eacute; pass&iacute;vel de anistia ou gra&ccedil;a?<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nOs 7 a 2 do Supremo&nbsp; deveriam garantir que esses garotos exemplares fossem silenciados para sempre?<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nQueremos a Submiss&atilde;o &agrave; autoridade, t&iacute;tulo de um livro antol&oacute;gico sobre t&eacute;cnicas de tortura?<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nColocar a quest&atilde;o moral &agrave; frente da legal s&oacute; ajuda a despolitizar um debate, a encobrir quest&otilde;es s&eacute;rias e a impedir uma avalia&ccedil;&atilde;o consciente do que est&aacute; em jogo. No saldo, quem perde &eacute; a democracia.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nQuando Geno&iacute;no se diz com a &ldquo;consci&ecirc;ncia limpa dos inocentes&rdquo; dever&iacute;amos dedicar alguns minutos de reflex&atilde;o ao assunto.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nVoc&ecirc; pode, com base naquilo que viu e ouviu nas 53 sess&otilde;es do julgamento, achar que ele &eacute; mesmo culpado e deveria renunciar ao mandato que recebeu.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nMas voc&ecirc; poderia pensar o contr&aacute;rio.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nA grande acusa&ccedil;&atilde;o &eacute; que ele assinou &ldquo;empr&eacute;stimos fraudulentos&rdquo; que alimentaram o esquema, certo? Podemos ouvir isso todo dia, nos coment&aacute;rios de sabich&otilde;es que frequentam o r&aacute;dio e a TV.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nMas: &nbsp;veja s&oacute;. A pr&oacute;pria Pol&iacute;cia Federal, que investigou o caso e as contas do mensal&atilde;o, concluiu que os empr&eacute;stimos n&atilde;o eram uma fraude. Em seu relat&oacute;rio, a PF diz que os empr&eacute;stimos foram verdadeiros, implicaram na remessa de dinheiro do Banco Real para o PT. &nbsp;A Justi&ccedil;a, mais tarde, supervisionou um acordo para o pagamento do empr&eacute;stimo. Era ilegal? Era imoral? Ou o que?<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nEm todo caso, se era ilegal, pergunta-se: o que aconteceu com a turma do Banco Central que deveria fiscalizar essas coisas?<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO que houve com quem referendou o acordo? &nbsp;Algu&eacute;m foi punido por ser ilegal? Ou n&atilde;o se julgou moralmente conveniente?<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nMuitos ministros condenaram Geno&iacute;no porque &ldquo;n&atilde;o era plaus&iacute;vel&rdquo; que ele &ldquo;n&atilde;o soubesse&rdquo; do que eles dizem sobre o que seria o &nbsp;&ldquo;maior esc&acirc;ndalo da hist&oacute;ria.&rdquo; Uniram o papel pol&iacute;tico &oacute;bvio de Geno&iacute;no no governo Lula com um esquema financeiro, sem conseguir provar seu envolvimento direto na &ldquo;compra de votos&rdquo; no Congresso. N&atilde;o conseguiram apontar, sequer, qual projeto foi aprovado em troca de dinheiro.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nEnquanto n&atilde;o se provar que Geno&iacute;no cometeu uma ilegalidade, estamos, &nbsp;mais uma vez, numa vis&atilde;o moral de uma pessoa, num julgamento que envolve a atribui&ccedil;&atilde;o de atitudes e valores, mas n&atilde;o consegue reunir provas robustas &ndash; indispens&aacute;veis no direito penal &mdash; para sustentar o que diz.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO que &eacute; imoral, neste caso?<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nEmbora o Supremo tenha condenado Geno&iacute;no, a lei &nbsp;d&aacute; ao deputado o direito de aguardar pelo exame de todos os recursos antes de considerar que o caso est&aacute; encerrado. Junto com a&nbsp; liberdade, &eacute; a hist&oacute;ria de uma vida que est&aacute; em jogo.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nAo contr&aacute;rio do que se poderia julgar do ponto de vista moral, ele tem o dever de resistir. A lei n&atilde;o lhe d&aacute; essa possibilidade por acaso. O necess&aacute;rio, para o esclarecimento de qualquer d&uacute;vida, de qualquer ponto de vista, &eacute; que que ele entre com seus recursos, que eles sejam ouvidos, examinados e conhecidos por todos. E a melhor forma de fazer isso &eacute; preservando seu mandato.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nVou adorar ouvir seus argumentos, na tribuna da C&acirc;mara. E vou adorar ouvir os argumentos contr&aacute;rios.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nSer&aacute; uma grande novidade. Em sete anos de investiga&ccedil;&otilde;es, o mensal&atilde;o transformou-se no discurso de um lado s&oacute;, uma &uacute;nica voz, uma &uacute;nica verdade. Cada advogado de defesa teve direito a um discurso de duas horas num julgamento que durou cinco meses. Isso impediu que d&uacute;vidas importantes, sobre Geno&iacute;no e sobre o mensal&atilde;o, fossem discutidas e resolvidas. Nenhuma auditoria provou que os recursos usados pelo esquema do PT foram extra&iacute;dos do Banco do Brasil. N&atilde;o h&aacute; sinal de desvio na Visanet, empresa que fazia os pagamentos para as ag&ecirc;ncias de Marcos Val&eacute;rio. Ou seja: verdades que pareciam evidentes em 2005 teriam de ser examinadas, revistas e explicadas em 2012. Ou corrigidas, ou retiradas.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&Eacute; por isso que o &nbsp;Congresso &nbsp;tem raz&atilde;o em debater &nbsp;suas prerrogativas e nossos moralistas de plant&atilde;o erram quando tratam Marco Maia e seu provavel sucessor, Henrique Alves,como criadores de caso, encrenqueiros que jogam para a plat&eacute;ia. &nbsp;Se o artigo 55 n&atilde;o foi abolido &ndash; o que s&oacute; os parlamentares tem o direito de fazer &ndash; &eacute; mais do que razo&aacute;vel que sua aplica&ccedil;&atilde;o seja discutida. Um pouquinho de hist&oacute;ria, para quem tem a mem&oacute;ria selecionada. A cronologia diz tudo neste caso. Ao longo de 7 anos de mensal&atilde;o Congresso n&atilde;o moveu um dedo m&iacute;nimo para atrapalhar a investiga&ccedil;&atilde;o. Tampouco cometeu qualquer gesto em dire&ccedil;&atilde;o ao STF que pudesse ser interpretado como a&ccedil;&atilde;o indevida. Ficou silencioso em seu canto, respeitoso das atribui&ccedil;&otilde;es de cada um. E &eacute; natural que queira ser respeitado, agora.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO ministro que decidiu a vota&ccedil;&atilde;o por 5 a 4 teve um voto oposto, em situa&ccedil;&atilde;o muito parecida.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nJu&iacute;zes n&atilde;o s&atilde;o obrigados a votar de modo identico a vida inteira.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nMas a democracia &eacute; um regime coerente.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nPor isso a Constitui&ccedil;&atilde;o diz que o povo exerce o poder atrav&eacute;s de seus representantes eleitos. Esta frase n&atilde;o &eacute; enfeite, certo? O voto da maioria da popula&ccedil;&atilde;o &eacute; o come&ccedil;o e o fim de tudo.<\/p>\n<p>Fonte: site revista &Eacute;poca<br \/>\nFoto: Internet<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Confira o artigo escrito por Paulo Moreira Leite, renomado jornalista que j\u00e1 foi diretor de reda\u00e7\u00e3o de \u00c9POCA e do Di\u00e1rio de S. 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