{"id":12112,"date":"2012-12-20T00:00:00","date_gmt":"2012-12-20T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/pastor-e-militar-deputado-mais-votado-da-bahia-declara-apoio-a-haddad-e-critica-bancada-evangelica\/"},"modified":"2024-12-10T18:13:53","modified_gmt":"2024-12-10T21:13:53","slug":"pastor-e-militar-deputado-mais-votado-da-bahia-declara-apoio-a-haddad-e-critica-bancada-evangelica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/pastor-e-militar-deputado-mais-votado-da-bahia-declara-apoio-a-haddad-e-critica-bancada-evangelica\/","title":{"rendered":"Diret\u00f3rio Nacional: Convoca\u00e7\u00e3o \u00e0 milit\u00e2ncia do PT para o 5o. Congresso"},"content":{"rendered":"<p><strong>Companheiros e companheiras:<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nA hist&oacute;ria da reconstru&ccedil;&atilde;o da democracia no Brasil, no final do s&eacute;culo XX, &eacute; insepar&aacute;vel da constru&ccedil;&atilde;o do Partido dos Trabalhadores. Atravessamos mais de tr&ecirc;s d&eacute;cadas sob o fogo cerrado daqueles setores sociais e seus instrumentos de interven&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica que se constitu&iacute;ram ou prosperaram &agrave; sombra da ditadura que oprimiu o pa&iacute;s por vinte e um anos.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nQuando bombardeiam o PT com sua pesada artilharia, buscam alvejar o sistema pol&iacute;tico democr&aacute;tico que a sociedade brasileira arduamente construiu a partir das lutas sociais lideradas pelos trabalhadores nesses quarenta anos.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO PT emergiu das lutas sociais dos anos 70 e se converteu na mais expressiva for&ccedil;a pol&iacute;tica de defesa das aspira&ccedil;&otilde;es populares. Estabeleceu uma profunda identidade com os sonhos e esperan&ccedil;as das camadas mais pobres da sociedade brasileira. E quando assumiu governos em todas as inst&acirc;ncias: nas prefeituras, nos governos estaduais e &agrave; frente do pa&iacute;s, a partir de 2003, com a vit&oacute;ria do presidente Lula, honrou seus compromissos de combater as criminosas desigualdades sociais e regionais herdadas de 500 anos de&nbsp; pilhagem e privil&eacute;gios; de aprofundar a democracia e fazer dela uma realidade no quotidiano de nossa gente.<\/p>\n<p>\nO que est&aacute; em causa neste momento da vida do PT e do Brasil &eacute; a continuidade do processo que desatamos com a posse do presidente Lula em janeiro de 2003 e prossegue liderado pela presidenta Dilma Rousseff que conferiu a estatura que nos corresponde no cen&aacute;rio internacional; de ampliar as conquistas da cidadania &agrave;s classes populares; de reacender a esperan&ccedil;a no cora&ccedil;&atilde;o de milh&otilde;es de brasileiros.<\/p>\n<p>\nIncapazes de deter por meios democr&aacute;ticos o processo de transforma&ccedil;&atilde;o da sociedade brasileira, buscam desmoralizar os instrumentos dessa transforma&ccedil;&atilde;o &#8211; os partidos &#8211; e dessa forma criminalizar a pol&iacute;tica. O PT se tornou o pesadelo dos conservadores porque est&aacute; destruindo o sonho acalentado por eles durante s&eacute;culos: o sonho de uma democracia sem povo.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nN&atilde;o nos combatem pelo que temos em comum com eles. Nos combatem pelo que trouxemos de novo, de in&eacute;dito, de ousado, de generoso. Nos combatem porque trouxemos Lula, o oper&aacute;rio &#8211; criador e criatura do Partido dos Trabalhadores -, nos combatem porque trouxemos Dilma Rousseff, a mulher militante que sobreviveu ao c&aacute;rcere, &agrave; tortura, &agrave;s inf&acirc;mias e se fez porta-bandeira da esperan&ccedil;a de nosso povo.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nNos combatem porque resultamos da invenc&iacute;vel determina&ccedil;&atilde;o de sucessivas gera&ccedil;&otilde;es de militantes, capazes de renovar as institui&ccedil;&otilde;es do pa&iacute;s e de renovar-se a si mesma incorporando as novas dimens&otilde;es das utopias contempor&acirc;neas que nos movem para convert&ecirc;-las no dia-a-dia de milh&otilde;es de brasileiros e brasileiras.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO V Congresso (cuja convocat&oacute;ria inaugura os debates de agora at&eacute; fevereiro de 2014) ser&aacute; o momento de recobrar em nossa voz &#8211; na voz da milit&acirc;ncia -, a voz dos que n&atilde;o puderam palmilhar a contradit&oacute;ria manh&atilde; que acendemos no cora&ccedil;&atilde;o da tempestade, nos olhos de nossa popula&ccedil;&atilde;o&hellip; E com o vasto coro dos filhos da margem responder &ldquo;pela voz do pe&atilde;o que ecoa a for&ccedil;a dos s&eacute;culos&rdquo; aos que sempre nos desejaram o pelourinho, o sal, a cinza, a morte: trinta e tr&ecirc;s anos depois, &ldquo;para nascer, nascemos&hellip;&rdquo;<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nEm 1&ordm;. de janeiro de 2013, o Brasil vai comemorar o 10&ordm;. anivers&aacute;rio da instala&ccedil;&atilde;o no Brasil de um governo liderado pelo Partido dos Trabalhadores.&nbsp; O Partido dos Trabalhadores esteve &agrave; frente da grande transforma&ccedil;&atilde;o que o Brasil passou a viver nesse per&iacute;odo, primeiro com Luiz In&aacute;cio Lula da Silva na Presid&ecirc;ncia e, mais recentemente, com Dilma Rousseff, como sua sucessora. As mudan&ccedil;as desse dec&ecirc;nio devolveram o crescimento a um pa&iacute;s estagnado nas duas &uacute;ltimas d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX. Mais que isso, elas recuperaram a auto-estima do povo brasileiro.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nA expans&atilde;o da economia combinou-se, pela primeira vez em nossa hist&oacute;ria, com a cria&ccedil;&atilde;o de 18 milh&otilde;es de empregos formais, com o aumento da renda dos trabalhadores, com um forte processo de inclus&atilde;o social, que atacou a pobreza e as desigualdades. A infla&ccedil;&atilde;o foi controlada e diminu&iacute;da a rela&ccedil;&atilde;o da d&iacute;vida interna e PIB. O Brasil diminuiu consideravelmente sua vulnerabilidade externa, acumulou cerca de 400 bilh&otilde;es de d&oacute;lares de reservas e deixou a condi&ccedil;&atilde;o de eterno devedor para passar hoje a credor do Fundo Monet&aacute;rio Internacional. Essas profundas mudan&ccedil;as projetaram nosso pa&iacute;s globalmente, em um mundo marcado por intensas transforma&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas, sociais, pol&iacute;ticas e culturais e, nos &uacute;ltimos anos, pela incerteza em rela&ccedil;&atilde;o ao futuro da humanidade. Nossa pol&iacute;tica externa permitiu fortalecer as rela&ccedil;&otilde;es do Brasil com a Am&eacute;rica do Sul e com o resto da Am&eacute;rica Latina e o Caribe.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nAproximamo-nos da &Aacute;frica, do mundo &aacute;rabe e dos pa&iacute;ses do Sul. No BRICS, no IBAS, no G20 e na ONU, defendemos profundas mudan&ccedil;as na ordem econ&ocirc;mica, social e pol&iacute;tica internacional. Defendemos tamb&eacute;m os Direitos Humanos, o multilateralismo, a preserva&ccedil;&atilde;o do meio ambiente e a solu&ccedil;&atilde;o pac&iacute;fica dos conflitos internacionais. Toda essa mudan&ccedil;a deu-se em um quadro de aprofundamento da democracia e com crescente participa&ccedil;&atilde;o popular.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nMas um partido comprometido com a transforma&ccedil;&atilde;o socialista e democr&aacute;tica da sociedade brasileira, sem descuidar das importantes tarefas que lhe s&atilde;o impostas pela conjuntura, deve erguer o olhar, mais al&eacute;m do cotidiano, e ocupar-se tamb&eacute;m dos problemas de dimens&atilde;o estrat&eacute;gica que tem pela frente; aqueles de cujo enfrentamento depende o futuro do pa&iacute;s. Trinta e tr&ecirc;s anos ap&oacute;s sua funda&ccedil;&atilde;o e passados dez anos do in&iacute;cio do Governo Lula, o PT vive um desses momentos.&nbsp; Nosso partido tem uma dupla e complexa tarefa: apoiar os Governos que ajudou a eleger, mantendo sobre eles uma permanente e generosa vigil&acirc;ncia cr&iacute;tica; e atuar na sociedade para alterar a correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as, para tornar poss&iacute;vel avan&ccedil;ar em dire&ccedil;&atilde;o aos nossos objetivos hist&oacute;ricos e estrat&eacute;gicos.&nbsp; O exerc&iacute;cio dessas duas tarefas nos imp&otilde;e uma reflex&atilde;o que reconstitua nossa trajet&oacute;ria e projete um caminho de transforma&ccedil;&otilde;es para o futuro. &Eacute; chegada, assim, a hora de convocar um novo Congresso &ndash; o Quinto Congresso do Partido dos Trabalhadores para fevereiro de 2014, ano no qual disputaremos, uma vez mais, a Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, as elei&ccedil;&otilde;es para a C&acirc;mara, Senado, Governos e Assembl&eacute;ias estaduais. Mas, para vencer esses pleitos, teremos de disputar tamb&eacute;m os cora&ccedil;&otilde;es e as mentes dos brasileiros. Teremos de apontar para o futuro.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO PT n&atilde;o foi capaz, at&eacute; agora, de construir plenamente uma narrativa sobre o per&iacute;odo hist&oacute;rico que se iniciou em 2003 e se estende at&eacute; hoje. Essa lacuna, que se explica pelas muitas tarefas que nos ocuparam nesses anos, tem conseq&uuml;&ecirc;ncias. A aus&ecirc;ncia de um balan&ccedil;o aprofundado de nossa experi&ecirc;ncia de Governo e de nossa presen&ccedil;a na sociedade dificulta a constru&ccedil;&atilde;o e continuidade de nosso projeto pol&iacute;tico. Esse vazio abre espa&ccedil;o para tentativas de desconstru&ccedil;&atilde;o de nossa obra governamental e de nossas pol&iacute;ticas. Em v&aacute;rios momentos, inclusive no atual, setores da oposi&ccedil;&atilde;o buscam desqualificar o PT, seus dirigentes e nosso governo. Os partidos tradicionais de oposi&ccedil;&atilde;o &ndash; em aberta crise, por falta de propostas alternativas &ndash; s&atilde;o substitu&iacute;dos por meios de comunica&ccedil;&atilde;o, corpora&ccedil;&otilde;es ou grupos incrustados em setores do aparelho de Estado.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nA economia, a pol&iacute;tica e a sociedade brasileiras mudaram muito nesta d&eacute;cada, em grande medida como decorr&ecirc;ncia das transforma&ccedil;&otilde;es que o PT, seus aliados e o Governo impulsionaram. O simples fato de havermos retirado da pobreza mais de 40 milh&otilde;es de homens e mulheres tem enormes implica&ccedil;&otilde;es. Mas a forma&ccedil;&atilde;o de novas classes ou segmentos sociais n&atilde;o &eacute; express&atilde;o &uacute;nica da incorpora&ccedil;&atilde;o de novos setores aos mercados de trabalho e, principalmente, ao de consumo. Uma classe social n&atilde;o se define apenas, nem principalmente, por sua capacidade de consumir produtos que antes lhes eram inacess&iacute;veis. As classes sociais n&atilde;o se encaixam no abeced&aacute;rio no qual s&atilde;o segmentadas nas pesquisas de mercado e\/ou eleitorais &ndash; A,B,C ou D. A mobilidade social que experimentamos implica tamb&eacute;m mudan&ccedil;as de valores, demandas imateriais, em exig&ecirc;ncias novas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;quelas do passado, sobretudo em uma sociedade que passa por acelerada transforma&ccedil;&atilde;o como a brasileira.&nbsp; Os principais benefici&aacute;rios das transforma&ccedil;&otilde;es ocorridas no pa&iacute;s somente se identificar&atilde;o com as for&ccedil;as pol&iacute;ticas que as produziram a partir da a&ccedil;&atilde;o coletiva e da compreens&atilde;o partid&aacute;ria deste fen&ocirc;meno. Diferentemente de uma vis&atilde;o economicista vulgar, a consci&ecirc;ncia de classe se constr&oacute;i. N&atilde;o entender isso pode significar que os principais benefici&aacute;rios das transforma&ccedil;&otilde;es ocorridas no pa&iacute;s n&atilde;o sejam capazes de reconhecer-se e identificar-se com as for&ccedil;as pol&iacute;ticas que produziram essas mudan&ccedil;as.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nDiferentemente de uma vis&atilde;o economicista vulgar, a consci&ecirc;ncia de classe se constr&oacute;i tamb&eacute;m &ndash; e talvez, sobretudo &ndash; no entrechoque de culturas e de id&eacute;ias e na a&ccedil;&atilde;o coletiva. Hoje, as id&eacute;ias e a cultura dominantes expressam ainda, e predominantemente, os valores dos que at&eacute; agora controlaram o Estado, os meios de comunica&ccedil;&atilde;o e todos os aparelhos vinculados &agrave; produ&ccedil;&atilde;o e &agrave; reprodu&ccedil;&atilde;o da cultura. A reflex&atilde;o sobre esses temas pelo PT, mais do que um exerc&iacute;cio intelectual necess&aacute;rio, &eacute; uma exig&ecirc;ncia pol&iacute;tica inadi&aacute;vel.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nA grande transforma&ccedil;&atilde;o realizada n&atilde;o pode ocultar a exist&ecirc;ncia de uma volumosa agenda de mudan&ccedil;as pendentes: sociais, econ&ocirc;micas, pol&iacute;tico-institucionais, culturais. Apesar dos avan&ccedil;os alcan&ccedil;ados, ainda persistem desigualdades sociais, bols&otilde;es de mis&eacute;ria e expressivos setores da popula&ccedil;&atilde;o que ainda vivem na pobreza. A exclus&atilde;o n&atilde;o se expressa apenas em termos de renda. Tem outras manifesta&ccedil;&otilde;es importantes: baixos n&iacute;veis de educa&ccedil;&atilde;o; deficiente forma&ccedil;&atilde;o para o mundo do trabalho; prec&aacute;rias condi&ccedil;&otilde;es ambientais, de habita&ccedil;&atilde;o, de saneamento, de mobilidade urbana e de acesso &agrave; sa&uacute;de; baixa prote&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s manifesta&ccedil;&otilde;es de viol&ecirc;ncia do crime organizado, das pol&iacute;cias ou de express&otilde;es dom&eacute;sticas, como aquelas que se exercem cotidianamente contra as mulheres, os negros, os jovens, os homossexuais ou os presos. A exclus&atilde;o tamb&eacute;m se manifesta, muitas vezes, pela recusa, quando n&atilde;o pela criminaliza&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica. Muito foi feito nestes dez anos, mas ainda &eacute; insuficiente. Por isso, faremos avan&ccedil;ar mais.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nUma das particularidades da sociedade brasileira, apontada e criticada pelos grandes pensadores que se dedicaram a analisar nossa forma&ccedil;&atilde;o social, &eacute; a de termos realizado as grandes transforma&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas, sociais e pol&iacute;ticas de nossa hist&oacute;ria por meio da concilia&ccedil;&atilde;o. A Independ&ecirc;ncia n&atilde;o foi resultado de um processo de liberta&ccedil;&atilde;o nacional, como no resto da Am&eacute;rica Latina, mas do acordo com a metr&oacute;pole colonial. O fim da escravid&atilde;o, apesar das revoltas negras e do Abolicionismo, resultou de um ato tardio da Coroa, que deveria ter ocorrido muitas d&eacute;cadas antes. O advento da Rep&uacute;blica n&atilde;o configurou uma ruptura significativa na sociedade. A partir de 1930, a despeito das profundas mudan&ccedil;as processadas na era Vargas, foram preservados os interesses do latif&uacute;ndio.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO fim da ditadura, nos anos 80, n&atilde;o decorreu das reclamadas elei&ccedil;&otilde;es diretas pela sociedade, mas de um acordo entre a maioria da oposi&ccedil;&atilde;o e segmentos que haviam dado sustenta&ccedil;&atilde;o ao regime militar. Alguns procuraram ver, tamb&eacute;m, no per&iacute;odo p&oacute;s-2003 a persist&ecirc;ncia desse vi&eacute;s conciliador. Creditaram o &ecirc;xito do Governo Lula &agrave; sua capacidade de incluir milh&otilde;es de pobres e miser&aacute;veis, proteger e expandir o emprego e a renda dos trabalhadores, mas, ao mesmo tempo, de beneficiar o capital financeiro, o agroneg&oacute;cio e os monop&oacute;lios da m&iacute;dia, al&eacute;m dos grupos do capital produtivo.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nNo plano pol&iacute;tico-institucional, como express&atilde;o das distor&ccedil;&otilde;es do sistema pol&iacute;tico, imp&ocirc;s-se a constitui&ccedil;&atilde;o de um bloco mais amplo de partidos &#8211; de esquerda e de centro &ndash; para dar sustenta&ccedil;&atilde;o parlamentar ao Governo. Essa percep&ccedil;&atilde;o pode encobrir, no entanto, quest&otilde;es cruciais. A expans&atilde;o da renda dos trabalhadores e a inclus&atilde;o de dezenas de milh&otilde;es de homens e mulheres ao mercado de bens de consumo de massas, embora n&atilde;o tenham estimulado o desenvolvimento sem amea&ccedil;ar o capitalismo, sofreu e sofre uma oposi&ccedil;&atilde;o brutal de setores das classes dominantes. Oposi&ccedil;&atilde;o que recrudesceu, sobretudo quando sobreveio a crise global. A verdade &eacute; que os donos do poder n&atilde;o aceitam essa irrup&ccedil;&atilde;o de pobres na vida social e pol&iacute;tica do pa&iacute;s.&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nCertamente tamb&eacute;m porque temem as reformas estruturais, como a tribut&aacute;ria, agr&aacute;ria e pol&iacute;tica. O &ecirc;xito de um nordestino, sem educa&ccedil;&atilde;o formal, como Presidente da Rep&uacute;blica e sua gravita&ccedil;&atilde;o internacional era inaceit&aacute;vel para setores da sociedade que se acostumaram a dirigi-la a partir de seus preconceitos e segundo suas normas hier&aacute;rquicas. Era plenamente &ldquo;normal&rdquo; que o poder fosse exercido por doutores, banqueiros, grandes propriet&aacute;rios.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nPassou a ser &ldquo;intoler&aacute;vel&rdquo; que sindicalistas, dirigentes de movimentos populares, intelectuais cr&iacute;ticos pudessem participar da condu&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica, vencendo tr&ecirc;s vezes a Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, duas com Lula e uma com Dilma, a primeira mulher a dirigir a Rep&uacute;blica no Brasil.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nA hist&oacute;ria do s&eacute;culo XX e dos primeiros anos deste s&eacute;culo mostra como as classes dominantes e seus aparelhos reagem contra governos que v&atilde;o na contram&atilde;o de seus interesses particulares. Vargas suicidou-se para deter insidiosa campanha de for&ccedil;as pol&iacute;ticas, meios de comunica&ccedil;&atilde;o e outros agentes inconformados com sua pol&iacute;tica nacionalista e de fortalecimento do Estado.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nDez anos depois, por raz&otilde;es semelhantes, esses mesmos atores se reuniriam para derrubar o Governo Jo&atilde;o Goulart e impor vinte anos de ditadura ao pa&iacute;s. No per&iacute;odo que antecedeu as elei&ccedil;&otilde;es de 2002 desencadeou-se uma campanha de medo com o objetivo de impedir a elei&ccedil;&atilde;o de Lula para a Presid&ecirc;ncia.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nA partir de 2003, de forma intermitente, tratou-se de anular os not&oacute;rios &ecirc;xitos do Governo, com campanhas que procuravam ou desconstruir as realiza&ccedil;&otilde;es do Governo Lula (o que havia de bom era apresentado apenas como o resultado da heran&ccedil;a de FHC) ou tach&aacute;-lo de &ldquo;incapaz&rdquo; e &ldquo;corrupto&rdquo;. Sabe-se que den&uacute;ncias sobre corrup&ccedil;&atilde;o sempre foram utilizadas pelos conservadores no Brasil para desestabilizar governos populares, como os j&aacute; citados casos de Vargas e Goulart.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nGrandes epis&oacute;dios de corrup&ccedil;&atilde;o &ndash; a vota&ccedil;&atilde;o da emenda da reelei&ccedil;&atilde;o de FHC, os turvos processos de privatiza&ccedil;&atilde;o nos anos 90 ou o Governo Collor, para s&oacute; citar alguns exemplos not&oacute;rios &ndash; nunca mereceram uma investiga&ccedil;&atilde;o que levasse seus respons&aacute;veis &agrave; puni&ccedil;&atilde;o pela Justi&ccedil;a. Essa constata&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pode, no entanto, eludir o tema da corrup&ccedil;&atilde;o de nossas preocupa&ccedil;&otilde;es. O rep&uacute;dio &eacute;tico e moral que esse fen&ocirc;meno provoca tem de incitar, por&eacute;m uma reflex&atilde;o mais abrangente.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nA corrup&ccedil;&atilde;o vence onde persiste um Estado vulner&aacute;vel a press&otilde;es de grupos e corpora&ccedil;&otilde;es e onde o sistema pol&iacute;tico n&atilde;o permite a clara express&atilde;o da vontade popular. Onde a Rep&uacute;blica &eacute; fraca. Nos &uacute;ltimos dez anos, as den&uacute;ncias de malfeitos no Brasil se viram beneficiadas pela absoluta liberdade de imprensa reinante, pelo funcionamento livre e independente dos poderes da Rep&uacute;blica, em particular pela a&ccedil;&atilde;o de organismos do Executivo como o Tribunal de Contas da Uni&atilde;o, a Controladoria Geral da Rep&uacute;blica, a Procuradoria Geral da Rep&uacute;blica e a Pol&iacute;cia Federal, todos eles revalorizados, funcional e materialmente, pelos nossos governos.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO PT reafirma seus compromissos com a &eacute;tica na pol&iacute;tica e com o combate &agrave; corrup&ccedil;&atilde;o e redobra seus mecanismos internos de vigil&acirc;ncia contra os malfeitos. Mas n&atilde;o devemos esquecer jamais o que esteve e est&aacute; efetivamente em jogo nestes anos.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nA pol&iacute;tica econ&ocirc;mica dos Governos Lula e Dilma atacou a principal mazela da sociedade brasileira &ndash; a desigualdade. Com isso mostrou a rela&ccedil;&atilde;o indissol&uacute;vel entre democracia pol&iacute;tica e democracia econ&ocirc;mica e social. A desigualdade n&atilde;o era apenas uma pervers&atilde;o de nosso sistema social, mas um mecanismo de domina&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica que se revelou &ldquo;eficaz&rdquo; para as classes dominantes por s&eacute;culos.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nPor isso, &eacute; t&atilde;o importante a plena realiza&ccedil;&atilde;o da reforma agr&aacute;ria, capaz de atingir um dos pilares da desigualdade. O combate &agrave; desigualdade fere estrategicamente interesses de grupos minorit&aacute;rios, mas poderosos. Da mesma forma, o fortalecimento do papel econ&ocirc;mico do Estado, a redu&ccedil;&atilde;o dos lucros escorchantes do capital financeiro ou o enfrentamento de grandes grupos do setor energ&eacute;tico, para s&oacute; citar algumas medidas, provocam resist&ecirc;ncias naqueles grupos que exerceram o poder at&eacute; bem pouco tempo sem grandes restri&ccedil;&otilde;es.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO fato de que essa transforma&ccedil;&atilde;o se d&ecirc; nos marcos legais, com aprofundamento da democracia, com preserva&ccedil;&atilde;o e expans&atilde;o das liberdades p&uacute;blicas incluindo a demanda por mais direitos e reformas do Estado e da pol&iacute;tica,&nbsp; deixa setores da oposi&ccedil;&atilde;o em uma situa&ccedil;&atilde;o cada vez mais desesperada.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&Eacute; chegada a hora de construir uma narrativa que reconstitua e problematize estes dez anos de mudan&ccedil;a e identificar os grandes desafios que temos pela frente para poder tra&ccedil;ar um caminho futuro. Quest&otilde;es imprescind&iacute;veis desse debate s&atilde;o a explicita&ccedil;&atilde;o de uma estrat&eacute;gia econ&ocirc;mica que nos permita acelerar nosso crescimento e aprofundar as mudan&ccedil;as em meio a uma das mais graves crises da economia mundial dos &uacute;ltimos cem anos.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nEssa estrat&eacute;gia deve dar sustentabilidade econ&ocirc;mica, social e ambiental a nosso desenvolvimento propiciando uma competitividade fundada na ci&ecirc;ncia, tecnologia e inova&ccedil;&atilde;o e na expans&atilde;o das conquistas sociais. O crescimento acelerado da economia &eacute; fundamental para assegurar um efetivo processo de inclus&atilde;o social, por meio da constru&ccedil;&atilde;o de uma sociedade de bem-estar onde sejam garantidas a todos educa&ccedil;&atilde;o e sa&uacute;de de qualidade, seguran&ccedil;a e justi&ccedil;a r&aacute;pida e efetiva, condi&ccedil;&otilde;es ambientais adequadas, acesso aos bens culturais da Na&ccedil;&atilde;o e da humanidade, meios de comunica&ccedil;&atilde;o plurais e independentes, prote&ccedil;&atilde;o dos Direitos Humanos, especialmente daqueles setores mais vulner&aacute;veis.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nA democratiza&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s passa pela amplia&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o social e pela reforma do Estado e de suas institui&ccedil;&otilde;es &ndash; Executivo, Legislativo e Judici&aacute;rio, assim como pela laicidade do Estado e da sociedade. A liberdade de express&atilde;o ser&aacute; assegurada e deve se expandir, pelo est&iacute;mulo ao debate, pela multiplica&ccedil;&atilde;o de foros e de instrumentos plurais de confronta&ccedil;&atilde;o e de difus&atilde;o de id&eacute;ias.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO debate dos documentos que venham a ser produzidos para o Quinto Congresso, a partir de uma pauta que reflita as preocupa&ccedil;&otilde;es at&eacute; aqui apontadas, e outras que sejam suscitadas, deve se fazer de cara &agrave; sociedade brasileira. O fato de ser um Congresso partid&aacute;rio &ndash; de uma parte do pa&iacute;s, portanto &ndash; n&atilde;o pode permitir que se erga uma muralha entre o PT e o conjunto da sociedade brasileira.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO partido encontrar&aacute; os meios de fazer com que nossos debates internos &minus; em meio ao Processo de Elei&ccedil;&atilde;o Direta (PED) de nossas dire&ccedil;&otilde;es &minus; sejam permeados pelas vozes da sociedade que nos t&ecirc;m acompanhado h&aacute; d&eacute;cadas, apoiando-nos ou exercendo a cr&iacute;tica construtiva de nossas id&eacute;ias e a&ccedil;&otilde;es.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO Congresso dever&aacute; dedicar um espa&ccedil;o importante para analisar a situa&ccedil;&atilde;o e as perspectivas do Partido dos Trabalhadores. Imp&otilde;e-se n&atilde;o s&oacute; a realiza&ccedil;&atilde;o de um profundo balan&ccedil;o de nossa trajet&oacute;ria, como um movimento que fortale&ccedil;a nossas defini&ccedil;&otilde;es program&aacute;ticas e nossa capacidade de interven&ccedil;&atilde;o na conjuntura.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nParadoxalmente, ao mesmo tempo em que obtinha sucessivas vit&oacute;rias eleitorais e realizava importantes reformas em nossa economia e sociedade, o PT perdeu densidade program&aacute;tica e capacidade de mobiliza&ccedil;&atilde;o sobre setores que nos acompanharam nos primeiros anos de nossa exist&ecirc;ncia.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO debate interno est&aacute; rarefeito. Sofremos um processo de burocratiza&ccedil;&atilde;o e assistimos a um debilitamento de nossas inst&acirc;ncias coletivas de dire&ccedil;&atilde;o. Importantes conquistas democr&aacute;ticas de nossa vida partid&aacute;ria &ndash; como o direito de tend&ecirc;ncias ou a participa&ccedil;&atilde;o de mulheres nas dire&ccedil;&otilde;es &ndash; ainda convivem com sinais de perda de vitalidade de nossa vida interna. Muitos &ldquo;setoriais&rdquo; est&atilde;o afastados das problem&aacute;ticas e din&acirc;micas reais dos segmentos que pretendem representar.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nA despeito da imagem altamente positiva que nossos Governos e nosso Partido t&ecirc;m no mundo, ainda n&atilde;o ocorreu um efetivo movimento de internacionaliza&ccedil;&atilde;o do PT, absolutamente necess&aacute;rio neste momento de profunda crise que atravessa a economia mundial e, com ela, a pol&iacute;tica e as id&eacute;ias de esquerda. Esse movimento deve comprometer o conjunto do Partido.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nA dissolu&ccedil;&atilde;o da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica e do chamado &ldquo;campo socialista&rdquo;, a deriva da Socialdemocracia, os rumos seguidos pela Rep&uacute;blica Popular da China, para s&oacute; citar alguns fen&ocirc;menos maiores das &uacute;ltimas d&eacute;cadas, lan&ccedil;aram uma profunda incerteza sobre o ide&aacute;rio socialista.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nNascido nos anos em que essa crise come&ccedil;ou a se fazer mais evidente e herdeiro de tradi&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas e libert&aacute;rias, o PT resistiu aos descaminhos desses projetos socialistas, n&atilde;o sendo constrangido pela aparentemente irresist&iacute;vel ascens&atilde;o do neoliberalismo ou pelo proclamado &ldquo;fim da Hist&oacute;ria&rdquo;. Ao contr&aacute;rio, fizemos a Hist&oacute;ria andar em nosso pa&iacute;s.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nMas, ainda que tenhamos dado respostas pr&aacute;ticas e alternativas aos desafios do presente, n&atilde;o fomos capazes de construir nem mesmo um esbo&ccedil;o de um novo e abrangente ide&aacute;rio de esquerda &ndash; socialista e democr&aacute;tico &ndash; que pudesse abrir perspectivas &agrave;queles que sofrem a orfandade de uma generosa utopia, sobretudo naquelas partes do mundo onde a crise econ&ocirc;mica e social ceifa esperan&ccedil;as; onde a pol&iacute;tica &eacute; substitu&iacute;da por arranjos tecnocr&aacute;ticos, que produzem desilus&atilde;o e impot&ecirc;ncia. Dar, pelo menos, alguns passos para reinstaurar o socialismo como horizonte pol&iacute;tico, ajudar a reconstruir uma cultura pol&iacute;tica de esquerda, a&iacute; est&atilde;o tarefas a que devemos nos dedicar em nosso Congresso.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nBras&iacute;lia, 8 de dezembro de 2012<br \/>\nDiret&oacute;rio Nacional do Partido dos Trabalhadores<\/p>\n<p>Foto Internet.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Confira o artigo interessant\u00edssimo do diret\u00f3rio nacional do PT. &#8220;Nos combatem porque resultamos da invenc\u00edvel determina\u00e7\u00e3o de sucessivas gera\u00e7\u00f5es de militantes, capazes de renovar as institui\u00e7\u00f5es do pa\u00eds&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":22888,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[416,4231,706,117],"class_list":["post-12112","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-zeca-dirceu","tag-congresso","tag-diretorio-nacional","tag-luta","tag-pt"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12112","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12112"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12112\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22888"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12112"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12112"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12112"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}