{"id":10988,"date":"2012-08-16T00:00:00","date_gmt":"2012-08-16T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/zeca-dirceu-aprova-projeto-mais-bolsa-familia-em-reuniao-com-direcao-nacional-do-pt\/"},"modified":"2024-12-10T18:19:23","modified_gmt":"2024-12-10T21:19:23","slug":"zeca-dirceu-aprova-projeto-mais-bolsa-familia-em-reuniao-com-direcao-nacional-do-pt","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/zeca-dirceu-aprova-projeto-mais-bolsa-familia-em-reuniao-com-direcao-nacional-do-pt\/","title":{"rendered":"Resultados de encomenda, por Marcos Coimbra&#8207;"},"content":{"rendered":"<p>Vergonha um instituto &ldquo;s&eacute;rio&rdquo; de pesquisa manipular a opini&atilde;o p&uacute;blica para atingir um resultado conveniente ao seu &ldquo;dono&rdquo;, a Folha de S&atilde;o Paulo. Desde o m&eacute;todo de coleta das opini&otilde;es, at&eacute; o modo como o foi divulgado o resultado da pesquisa sobre o mensal&atilde;o, o Datafolha pecou feio, induzindo os entrevistados. Leiam o artigo de Marcos Coimbra e entendam.<\/p>\n<p>\n<em>Na primeira aula do curso de pesquisa de opini&atilde;o, o aluno aprende as coisas b&aacute;sicas da profiss&atilde;o. Uma &eacute; ter cuidado com as perguntas indutivas. &Eacute; esse o nome que se d&aacute; &agrave;s que s&atilde;o formuladas com um enunciado que oferece informa&ccedil;&atilde;o ao entrevistado antes que responda.<\/p>\n<p>H&aacute; diversos tipos de indu&ccedil;&atilde;o, alguns dos quais muito comuns. Quem n&atilde;o conhece, por exemplo, a pergunta chamada de &ldquo;voto estimulado&rdquo;, feita habitualmente nas pesquisas eleitorais? Ela solicita ao respondente que diga em quem votaria, tendo em m&atilde;os uma lista com o nome dos candidatos.<\/p>\n<p>&Eacute; claro que, assim procedendo, avalia-se coisa diferente do &ldquo;voto espont&acirc;neo&rdquo;.<br \/>\nPara diminuir o risco de que a indu&ccedil;&atilde;o conduza os entrevistados a uma resposta, recomenda-se evitar que o pesquisador leia nomes. Mesmo inadvertidamente, ele poderia sugerir alguma prefer&ecirc;ncia, seja pela ordem de leitura, seja por uma poss&iacute;vel &ecirc;nfase ao falar algum nome. Da&iacute;, nas pesquisas face a face, o uso de cart&otilde;es circulares, onde nenhum vem antes.<br \/>\nEssa cautela &ndash; e outras parecidas &ndash; decorre da necessidade de ter claro o que se mede. Sem ela, podemos confundir o significado das respostas.<\/p>\n<p>Dependendo do n&iacute;vel de indu&ccedil;&atilde;o, o resultado da pesquisa pode apenas refletir a rea&ccedil;&atilde;o ao est&iacute;mulo. Em outras palavras, nada nos diz a respeito do que as pessoas genuinamente pensam quando n&atilde;o est&atilde;o submetidas &agrave; situa&ccedil;&atilde;o de entrevista.<br \/>\nPara ilustrar, tomemos um exemplo hipot&eacute;tico. Vamos imaginar que algu&eacute;m quer saber se as pessoas lamentaram a derrota da equipe de v&ocirc;lei masculino na disputa pela medalha de ouro na Olimp&iacute;ada. A forma &ldquo;branda&rdquo; de perguntar talvez fosse come&ccedil;ar solicitando que dissessem se souberam do resultado e como reagiram &ndash; sem informar o placar.<br \/>\nOutra, de indu&ccedil;&atilde;o &ldquo;pesada&rdquo;, seria diferente. A pergunta viria a seguir a um enunciado do tipo &ldquo;O sr.\/a sra. ficou triste ao saber que o Brasil perdeu para a R&uacute;ssia, depois de liderar o jogo inteiro e precisar apenas um ponto para se sagrar campe&atilde;o ol&iacute;mpico?&rdquo;.<\/p>\n<p>Nessa segunda formula&ccedil;&atilde;o, ela n&atilde;o somente induz um sentimento (mencionando a no&ccedil;&atilde;o de &ldquo;tristeza&rdquo;), como oferece um motivo para ele (a ideia de ter estado perto de alcan&ccedil;ar algo desej&aacute;vel).<\/p>\n<p>&Eacute; muito prov&aacute;vel que os resultados das duas pesquisas fossem diferentes. Na primeira, ter&iacute;amos a aferi&ccedil;&atilde;o da resposta espont&acirc;nea &ndash; e mais real. Na segunda, a mensura&ccedil;&atilde;o de uma rea&ccedil;&atilde;o artificialmente inflada. Em &uacute;ltima instancia, fabricada pela pr&oacute;pria entrevista.<\/p>\n<p>&Eacute; o que aconteceu com a recente pesquisa do Datafolha sobre os sentimentos da opini&atilde;o p&uacute;blica a respeito do &ldquo;mensal&atilde;o&rdquo; e seu julgamento.<\/p>\n<p>Contrariando o que se esperaria de um instituto subordinado a um jornal, n&atilde;o deixa de ser curioso que decidisse fazer seu primeiro levantamento sobre o assunto 10 dias depois do in&iacute;cio do processo no Supremo. Dez dias depois de ter sido pauta obrigat&oacute;ria nos &oacute;rg&atilde;os da &ldquo;grande imprensa&rdquo;. Dez dias depois de um notici&aacute;rio sistematicamente negativo &ndash; como aferiram observadores imparciais.<\/p>\n<p>Preferiu pesquisar s&oacute; depois que a opini&atilde;o p&uacute;blica tivesse sido &ldquo;aquecida&rdquo;. Foi &agrave; rua medir o fen&ocirc;meno produzido.<br \/>\nN&atilde;o bastasse a oportunidade, a pesquisa abusou de perguntas indutivas, que tendiam a conduzir os entrevistados a determinadas respostas. Como diz a literatura em l&iacute;ngua inglesa, fornecendo-lhes &ldquo;pistas&rdquo; sobre as respostas &ldquo;corretas&rdquo;.<br \/>\nMas o mais extraordin&aacute;rio foi seu uso editorial, na manchete que ressaltava que a maioria desejava que os acusados fossem &ldquo;condenados e presos&rdquo;.<br \/>\n&nbsp;Parecia de encomenda: embora o resultado mais relevante da pesquisa fosse mostrar que 85% dos entrevistados sabiam pouco ou nada do assunto, o que interessava era afirmar a exist&ecirc;ncia de um desejo de puni&ccedil;&atilde;o severa.<br \/>\nE quem se importa com o que estabelecem as normas das boas pesquisas?<\/em><\/p>\n<p>\nFonte: Correio Braziliense<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vergonha um instituto \u201cs\u00e9rio\u201d de pesquisa manipular a opini\u00e3o p\u00fablica para atingir um resultado conveniente ao seu \u201cdono\u201d, a Folha de S\u00e3o Paulo. 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