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Redução da bancada do PT é tema de entrevista ao Bem Paraná

Apesar de redução de bancadas, deputado diz que partido ainda tem força no Estado

Reeleito para a Câmara Federal, o deputado Zeca Dirceu (PT) – mais votado do Pt do Paraná nas eleições deste ano com 155.583 votos, minimiza o mau resultado colhido pelo partido nas urnas de 2014. Segundo ele – que conquistou quase 50 mil votos a mais do que havia obtido em 2010 – apesar da redução das bancadas federal e estadual – o partido continua tendo força no Congresso e no Estado mesmo enfrentando uma oposição crescente e denúncias de corrupção e desvios de recursos da maior empresa estatal do País, a Petrobras. 

Ele garante que não existe discriminação política da presidente reeleita Dilma Rousseff (PT) em relação ao governador Beto Richa (PSDB). “Nesses últimos quatro anos, o Paraná teve o maior investimento de toda sua história feito pelo governo federal”, rebate. Para o herdeiro político do líder histórico do PT, a redução da bancada do partido na Congresso Nacional não é tão significativa e o PT continua com capacidade de aprovar reformas fundamentais.

Bem Paraná — O senhor foi o deputado federal mais votado do PT no Paraná, o PT teve uma redução de 25% em representatividade, no Paraná ainda mais – na Assembleia, o PT elegeu a menor bancada desde 1986. O primeiro pronunciamento da presidente Dilma Rousseff depois de reeleita propôs mudanças fundamentais que envolvem alterações na Constituição e dependem como nunca de maioria no Legislativo. Como o PT vai fazer para aprovar as mudanças com uma bancada menor?

Zeca Dirceu — O PT continua sendo um partido muito forte, muito importante. Ainda temos a maior bancada na Câmara Federal. Quanto à necessidade de negociar e compor, mesmo quando o PT teve 80 deputados, isso sempre foi uma realidade. Nós conseguimos ajudar o governo a criar entendimentos. Muitas coisas importantes foram aprovadas ao longo desses quatro anos, mesmo tendo um Congresso, em alguns momentos, hostil, em alguns momentos com obstáculos e dificuldades. Estou muito otimista e confio na capacidade do governo, do partido e da bancada de dialogar, principalmente com o PMDB, com os demais partidos da nossa aliança para a gente conseguir ter maioria e aprovar as coisas que o país precisa e necessita. E acho que aqui no Paraná, o PT continua com representação política, por mais que houve essa redução na Assembleia Legislativa, continua sendo um partido muito importante. Nós temos uma senadora, não é pouca coisa. Com o talento e a capacidade da Gleisi, nós temos quatro deputados federais, três deputados estaduais. Foi eleito um deputado federal do PCdoB, que historicamente tem um conjunto de lideranças muito aliado com a gente, muito fechado e votando sempre junto. Conheci inúmeros deputados federais do PCdoB e é muito raro, quase zero, os momentos em que eles não estão com a gente. Foi eleita e Christiane Yared (PTN); não conheço ela em detalhes, mas acredito que será aliada, alguém que vai também ajudar. Acho que o partido está bem aqui no Estado também, apesar do resultado adverso da disputa do governo do Estado e dessa redução da bancada da Assembleia Legislativa.

BP — Além da redução significativa, apesar de manter maioria na Câmara Federal, o PT deve enfrentar as denúncias de corrupção na Petrobras. Muitas das denúncias apareceram em período eleitoral, na véspera da eleição, com veículo de comunicação contra e uma série de deputados incansáveis em repetir as denúncias. Isso também pode prejudicar o trabalho fundamental do Legislativo e a governabilidade. O debate é desviado para a discussão da corrupção e fica no fisiologismo político. As denúncias da Petrobras envolvem deputados, ex-deputados, senadores e ex-governadores do PT, PSDB, PP e PMDB, por enquanto. Como é que a presidente vai contornar essa crise e aprovar os projetos?

Zeca Dirceu — Houve, nos últimos dias de eleição, principalmente no final de semana, por parte da revista Veja, um ou outro veículo de comunicação, uma tentativa de golpe. Tentaram influenciar o processo democrático de maneira indevida, ilegal, à margem do que diz a legislação do nosso país. Isso precisa ser denunciado, condenado da maneira mais ampla possível. Nós estamos fazendo e continuaremos fazendo isso. A presidenta, o Partido dos Trabalhadores, a coordenação da campanha tomou uma série de medidas jurídicas. Algumas já com efeito, já com sucesso. Foi um grande absurdo o que se fez e isso influenciou no resultado. Eu vi muitos eleitores que, com medo, receio e dúvida, deixaram de votar na presidenta, por causa da história da morte do Alberto Youssef, do envenenamento dele feito pela Dilma, pelo PT. Uma coisa absurda, canalha, no dia da eleição. Fora a capa da Veja que foi um panfleto de oposição pintado com ares de imparcialidade, de liberdade de imprensa, uma vergonha. Acho que a presidenta Dilma conseguiu colocar, no seu devido lugar nos debates, foi muito feliz nisso, sobre a corrupção. Há uma diferença para o momento de agora para o momento do passado. Antes nada se apurava, nada era investigado e o maior representante do Ministério Público era apelidado de forma muito ampla como engavetador geral da República.

“Volta Lula”

“Partido tem que pensar com calma”

Bem Paraná — O seu pai (ex-ministro José Dirceu) deve sair da prisão em breve, o julgamento do chamado mensalão é contestado por alguns setores da sociedade, muita gente acha que não é legítimo. Ele deve voltar a ter participação política?
Zeca Dirceu — Ele tem os direitos políticos cassados por mais alguns anos. Essa cassação não termina agora, o que vai acontecer com ele é que vai sair do regime semi-aberto e passar para o regime aberto. Ele continua cumprindo a pena dele. Qualquer pergunta além disso tem que ser feita para ele, não para mim.

BP — Lula volta em 2018?
Dirceu — Sou fã dessa ideia, apoiador dessa iniciativa. Agora com a presidenta Dilma já reeleita, o PT tem que começar com calma, com serenidade, pensar em nomes para a disputa para daqui quatro anos. Sem dúvida o Lula é maior liderança, não só do PT, mas de todo o Brasil. Ele já aparecia antes desta eleição, inclusive a frente da própria presidenta Dilma com percentuais de voto muito grandes e acredito que é um nome de peso. Ter dois lideres da envergadura do ex-presidente e da presidenta Dilma é um privilégio.

BP — O relacionamento do governo federal com o governo do Paraná passou por uma série de trocas de acusações antes e durante o período eleitoral. O governador Beto Richa acusa que é discriminado e que o Paraná é historicamente discriminado pelo governo federal. O discurso de ambos os lados, passada a eleição, é de reconciliação e ambas as partes pedem bom senso para que as administrações caminhem em parceria. O senhor quando foi prefeito de Cruzeiro do Oeste atraiu muitos investimentos federais ao município. Cruzeiro do Oeste é o primeiro de uma lista de 112 cidades dos três estados do Sul, com população entre 18 mil e 30 mil habitantes, que receberam recursos do governo federal, em parte do período em que o senhor foi prefeito. Existe discriminação política aos governantes do Paraná e qual vai ser a relação com o governo do estado?

Dirceu — O que aconteceu em Cruzeiro do Oeste, o que acontece em muitos municípios do Paraná. Em muitos deles tenho atuação política, não é coincidência. É uma soma de boa articulação política e de competência; de capacidade de gestão, no sentido de cumprir prazos, normas, ter bons projetos, ter condução fiscal, financeira, equilíbrio para que as certidões possam existir e credenciar o município ou o estado a receber os recursos. A tese de que o governo federal persegue o governo federal é mentirosa. Ela foi altamente propagada e beneficiou a reeleição do atual governador e atrapalhou muito a nossa candidata Gleisi Hoffmann e atrapalhou também a presidenta Dilma. Cabe ao governo federal estabelecer a verdade. O Paraná, nesses últimos quatro anos, teve o maior investimento de toda sua história feito pelo governo federal. Nunca teve tanta obra federal no estado como nos últimos quatro anos. Isso é fato: no Minha Casa Minha Vida, construção de creches, escolas, novas unidades de saúde, nas máquinas que chegaram do Ministério do Desenvolvimento Agrário, para melhorar estradas rurais; Samu, consolidação de hospitais; e nas obras de infraestrutura, rodovias…

Fonte: Bem Paraná

 
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