Sem critérios técnicos, Alckmin nomeia neta de fundador do PSDB para cargo no governo
As escolhas político-administrativas dos tucanos continuam a levar em conta a pessoalidade e os níveis de proximidade familiar e de amizade. Na tentativa de afagar os ânimos, desta vez, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, nomeou a neta do ex-governador e fundador do PSDB André Franco Montoro, Mariana Montoro, para coordenar o marketing do governo, informa a colunista Mônica Bergamo, na Folha de São Paulo.
As escolhas político-administrativas dos tucanos continuam a levar em conta a pessoalidade e os níveis de proximidade familiar e de amizade. Na tentativa de afagar os ânimos, desta vez, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, nomeou a neta do ex-governador e fundador do PSDB André Franco Montoro, Mariana Montoro, para coordenar o marketing do governo, informa a colunista Mônica Bergamo, na Folha de São Paulo.
A escolha foi um gesto de Alckmin para contemplar a família Montoro, que estava insatisfeita com o tratamento recebido no governo. Mariana havia sido substituída no início do ano pela filha do ex-governador Orestes Quércia, Andréa Quércia, na Coordenadoria Estadual de Programas para a Juventude, vinculada à Secretaria de Esportes.
Quércia, que morreu no final do ano passado em virtude de um câncer, apoiou o PSDB em São Paulo, contrariando a decisão nacional do PMDB de se aliar a Dilma Rousseff. Quando ele renunciou à candidatura ao Senado em razão da doença, Andréa anunciou o apoio da família ao candidato tucano ao Senado, Aloysio Nunes Ferreira, que foi eleito.
Em reservado, os tucanos se diziam incomodados com a troca da guarda entre dois sobrenomes tão emblemáticos da política paulista. Montoro foi um dos responsáveis por abrir a dissidência do PMDB que deu origem ao PSDB, em 1988. Uma das razões para a cizânia, na época, foi justamente a divergência do grupo que originou o PSDB com o governo Quércia, que havia sido vice de Montoro e que o sucedeu.
O gesto de Alckmin de readmitir Mariana no governo e a ação de bombeiros do partido contribuíram para que o ex-deputado Ricardo Montoro, filho do ex-governador, decidisse ficar no partido.
A decisão foi tomada após uma espécie de "concílio" familiar dos Montoro. Montoro havia confessado "extremo desconforto" no PSDB em entrevista à colunista Mônica Bergamo. Enfim, os critérios técnicos para contratação dos tucano se sustentam em linhas hereditárias e consanguíneas.
