Comissão de Cultura propõe financiamento para mídias alternativas
As grandes empresas são as que mais recebem recursos publicitários. De um total de R$ 161 milhões repassados às emissoras de TV, rádios, jornais, revistas e sites desde 2011, 50 milhões foram direcionados apenas a um grupo.
A Comissão de Cultura da Câmara está debatendo nesta terça-feira (7), a criação de uma nova linha de financiamento para mídias alternativas. A ideia é criar condições especiais de financiamento para veículos como blogs, rádios e TVs comunitárias. O BNDES disponibilizaria novas linhas de crédito. Atualmente poucos grupos dominam os principais meios de comunicação do Brasil. Segundo dados divulgados pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (SECOM), de um total de 161 milhões de reais repassados às emissoras de TV, rádios, jornais, revistas e sites desde 2011, 50 milhões foram direcionados apenas a um grupo de Comunicação.
Vivemos uma nova era da comunicação. A internet revolucionou a forma como a informação circula no mundo. E as mídias alternativas precisam de incentivo. De acordo com a presidente da Comissão, deputada Jandira Feghali, PC do B/RJ, a democratização da comunicação pode dar passos largos em discussões como essa, conquistando resultados claros. É a ideia, por exemplo, de se criar um fundo para financiamento público de pequenas e médias empresas de Comunicação, projeto que está aberto com o Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES). O assunto está ganhando um escopo mais robusto em audiência pública da Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados com o próprio banco e representantes nacionais da chamada mídia livre.
Jandira diz que, embora a tecnologia seja um facilitador para a mídia alternativa, existem desafios de infraestrutura para manter a longevidade desses veículos. "Os blogs, por exemplo, tem um grande potencial, mas nem sempre tem condições de pagar um salário para um bom jornalista", diz a deputada.
Com esta primeira ação, pequenos produtores da Comunicação poderão sobreviver às crises naturais do mercado capitalista e ganhar fôlego maior na luta por espaço. O jovem morador do Complexo do Alemão inspirou tantos outros com sua forma corajosa de mostrar a realidade da favela, sem floreios ou “achismos”. Cabe a nós, Parlamento e Governo, contribuirmos neste processo para a democracia brasileira, destacou a presidente da Comissão de Cultura da Câmara.
