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“Paraná nunca recebeu tanto investimento federal”, diz Zeca Dirceu

Fico satisfeito cada vez que tenho a oportunidade de divulgar as ações federais que acontecem no nosso Estado.Confira a minha entrevista de hoje no Jornal Bem Paraná.

O deputado federal Zeca Dirceu é filho do ex-ministro da Casa Civil do governo Lula, José Dirceu, que de fundador e um dos homens mais poderosos do PT e da República, se tornou réu no processo do mensalão. E até pela condição de filho, prefere não comentar os meandros desse processo no Supremo Tribunal Federal, que seu partido vê como algo contaminado pela pressão política e da mídia conservadora. Já quando se trata do governo, Zeca Dirceu não pensa duas vezes, assumindo claramente a defesa da administração federal. A começar na polêmica com o governo Beto Richa (PSDB), cujas acusações de discriminação ele responde com uma longa lista de obras e iniciativas que, segundo ele, provam que o Paraná nunca recebeu tantos investimentos de Brasília.

 

E é com essa mesma certeza que Zeca garante que a ministra chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, tem tudo para mudar, em 2014, a escrita segundo a qual o PT nunca conseguiu ser competitivo na disputa pelo governo do Estado. “Não é por acaso o Paraná está recebendo tantos investimentos assim”, afirma. “Eu diria que ela (Gleisi) está no piso (das intenções de voto para o governo nas pesquisas), e tende a crescer. O governador está no teto”, avalia o parlamentar, em entrevista ao Bem Paraná, onde comenta também a polêmica sobre as biografias não-autorizadas e a crise política provocada pelas manifestações populares.

 

Bem Paraná – O seu pai, o ex-ministro José Dirceu, foi alvo de uma biografia não autorizada, contestada por ele e pelos críticos. O que acha da polêmica levantada pelo grupo de artistas do “Procure saber” sobre esse tema?Zeca Dirceu – Acho que liberdade de imprensa é importante e necessária. Em relação ao livro, eu não li, não vou ler. A minha mãe teve o desprazer de ler algumas partes e se sentiu ofendida por ter avaliações e situações, na relação amorosa entre ela e meu pai, coisas muito íntimas que jamais alguém poderia opinar ou saber a não ser ela e meu próprio pai.

 

 

BP – Mas vocês não chegaram a tomar iniciativa de barrar o livro na Justiça para tirá-lo do mercado?Zeca Dirceu – Não. Meu pai declarou na imprensa que não faria isso e não o fez. Eu li a crítica feita por um jornalista na revista Piauí. Ali ele provou centenas de inverdades. Discrepâncias inclusive de fatos históricos. Então, um livro desse não merece ser lido. Não perdi meu tempo nem de ler, nem de pensar qualquer outra atitude. O que eu acho que a legislação do Brasil precisa ser aperfeiçoada para que você tenha – talvez não caiba no caso de biografias, mas em outros casos – o direito de resposta e para que haja algum tipo de penalização em relação ao ataque à honra, calúnia, difamação. Eu mesmo fui vítima de calúnia e difamação, entrei com ação de reparação de danos, ganhei a ação, agora, depois de dez anos em uma delas que eu vou começar a receber aquilo que a Justiça determinou. É muito tempo. Tem a ver com a legislação, mas tem um pouco haver com a estrutura Judiciária do País que é falha, lenta e demorada. Acho que toda a liberdade e esses dois cuidados, o direito de resposta e para que você tenha mais facilidade para reparar o dano. Hoje muitas vezes não é reparado, outras demora décadas.

 

 

BP – Como o senhor recebeu a decisão do STF de acatar os recursos dos réus do chamado caso do mensalão?Zeca Dirceu – Eu sou filho. Amo meu pai. Natural que o jornalista me questione sobre isso. Mas eu estou sentimentalmente envolvido. Então não tem como fazer avaliação política, técnica e jurídica de todos esses fatos.

 

BP – Como o senhor vê a onda de manifestações que tivemos a partir de junho e tudo o que aconteceu desde então?

Zeca Dirceu – Acho que foram importantes, positivas. São condenáveis os excessos que existiram e estão existindo até hoje de depredação, destruição do patrimônio público e até mesmo a inviabilização das próprias manifestações pelos chamados black blocs. A presidenta Dilma foi muito corajosa, porque não era uma manifestação contra ela, o governo dela, mas ela tomou a frente no sentido de ouvir. Ela tomou à frente no sentido de propor ações, algumas que ela tomou como governo, que já estão repercutindo resultados. E outras que ela sugeriu ao Congresso, à classe política, ao País, que infelizmente não prosperaram. Eu classifico como talvez, a maior falha de todos nós, a não realização de uma reforma política. O PT tem sido derrotado, sistematicamente, e foi derrotado de novo, no sentido de tirar do dia a dia das campanhas o poder do dinheiro. Mas acho que a presidenta cumpriu um grande papel. Ela chamou a atenção para uma parcela dos brasileiros, que por mais que eles talvez não estivessem evidenciando isso nas manifestações, que esse é um problema do País. Infelizmente o cidadão, na grande maioria, não percebe isso. Ele acha que a distorção da representação política, de ele não se sentir representado, é fruto do acaso. Não é. É fruto de um sistema em que impera o dinheiro. Mas infelizmente a maioria que está lá (no Congresso), eu convivo, não quer mudar. E a maioria mudaria mais rapidamente por pressão popular. Mas infelizmente para esse tipo de ação não há pressão popular. A população não entende que isso tem a ver com os problemas que ela vive. Essa é a parte negativa. A parte positiva foram as decisões que nós tivemos na saúde e na educação. O Pré-sal, a gente votou no Congresso a destinação de 100% dos royalties para educação e saúde, isso não é pouca coisa. Só isso já valeu as manifestações. A criação do programa Mais Médicos, novos cursos de Medicina, também não é pouca coisa. São (medidas) esperadas há décadas.

 

Manifestações

“PT já tomou decisão de renovar o partido”

 

 Bem Paraná – Nas manifestações, os partidos em geral, inclusive o PT, foram hostilizados. O partido perdeu a conexão com as massas, em especial os jovens?

Zeca Dirceu – Acho que todos os partidos e a classe política em geral enfrenta hoje uma dificuldade na relação e até uma certa incompreensão que eu classificaria até como exagerada. Mas ela é estimulada pela grande mídia, Rede Globo principalmente, que diariamente condena e distorce a realidade do exercício da política. Acho muito ruim quando a gente chega em uma situação com essa. Sem partidos, sem políticos, você tem que ter um regime ditatorial para conduzir as coisas. Não existe outro regime. O PT há dois, três anos tomou uma decisão que tem a ver com o que está acontecendo, de renovar o partido. Por exemplo, obrigatoriamente 20% das direções (do partido) têm que ser formadas por jovens. Ninguém pode ocupar o mesmo cargo por mais de três mandatos, inclusive de presidente municipal, estadual, nacional. Inclusive dos cargos eletivos. Eu não posso ser deputado federal mais do que três vezes. O partido lá atrás já tomou essa decisão de renovação. Já tinha cota de gênero, trouxe para 50%. São decisões que vão de encontro ao que se viu nas ruas, de renovação da política.

 

BP – E o Congresso, o senhor acha que entendeu o recado?

Zeca Dirceu – Em relação à reforma política não. Agora o Congresso entendeu o recado quando decidiu aprovar a destinação dos royalties para a educação. É importante lembrar que por duas vezes tentamos aprovar e perdemos a disputa. O Congresso mudou de opinião por pressão das urnas.

 

 

Eleições 2014

“Gleisi adquiriu bagagem para disputar o governo”

 

Bem Paraná – O governo Beto Richa tem acusado o governo federal de discriminação na destinação de verbas e na demora para a liberação de empréstimos ao Paraná. Como o senhor vê essa acusação?

Zeca Dirceu – O Paraná nunca recebeu tantos investimentos federais quanto está recebendo agora. Nós vamos provar, e já estamos provando isso. O cidadão vai perceber isso quando começar a refletir, e vai fazer isso mais na eleição, quando as atenções se voltam para a política. Em qualquer cidade do interior que você for hoje, 80%, 90% das obras públicas têm recurso federal. O governo do Estado não tem um programa, não tem praticamente obras acontecendo. A presidente esteve no Paraná, inaugurou um trecho da estrada da Boiadeira, BR-487, que todo mundo falava que era impossível. O governo federal investiu R$ 50 milhões no ano passado, autorizou um segundo trecho. Está duplicando a BR 163, de Toledo até Guaíra. Vai duplicar de Cascavel até o Sudoeste. Está licitando a segunda ponte com o Paraguai. O Porto de Paranaguá tem há anos R$ 150 milhões para fazer a dragagem, não conseguiu a licença ambiental, parece que agora vai conseguir, para usar o dinheiro. O Paraná tinha uma universidade, tem cinco unidades federais. O governo federal dispôs recursos para construir dez escolas técnicas regionais, o governo do Estado está concluindo, terminou algumas e não coloca para funcionar. Em Terra Rôxa está há seis meses a escola pronta, não é colocada em funcionamento. O PAC tem obras de saneamento em mais de 100 cidades do Paraná. Os fatos, o dia a dia, mostram isso. O ano que vem esse discurso vai por água. O governador está dando um tiro no pé porque ele está chamando a atenção para uma coisa que beneficia a Gleisi (Hoffmann) por ela ser a ministra da Casa Civil e ter tido nessa ação um papel determinante. Não é por acaso o Paraná está recebendo tantos investimentos assim.

 

 

BP – A ministra Gleisi tem um papel decisivo no governo como chefe da Casa Civil, mas também sofre desgaste por polêmicas com a demarcação das terras indígenas, do Porto. O senhor acha que isso pode prejudicá-la na eleição?

Zeca Dirceu – Eu acho que não. As atitudes dela são sempre muito equilibradas. Nesta questão indígena, eu sou de Umuarama, fui prefeito de Cruzeiro d´Oeste, atuo na região que tem um conflito. Eu vi os agricultores aplaudirem ela quando ela puxou a discussão para o governo de que teria que mudar a maneira como as demarcações vinham sendo feitas. O governo tomou essa decisão, não é mais apenas a Funai que sozinha dá o veredito e encaminha essas questões. Ela trouxe para dentro a Embrapa, no caso de Foz do Iguaçu, a Itaipu. Acho que ela só ganhou ponto ocupando o cargo e a experiência que ela adquiriu prepara ela ainda mais para governar o Paraná. Ela tinha carisma, simpatia, história sem nenhum tipo de mácula, e tinha voto. Em 2010, ela teve mais voto (para o Senado) que o próprio governador. Mas ela não tinha bagagem de um cargo de gestão como esse da Casa Civil. Então ela vem com tudo,  está muito bem preparada. Qual que é o único problema do cargo? Ela ficou afastada do contato do dia a dia (da política local), da presença. Mas isso resolve em janeiro, ela volta para ser senadora, pode visitar, viajar, participar de eventos e atividades como bem entender. Ela vai ter uma agenda muito intensa, de janeiro a junho. São seis meses, muito tempo. Então isso vai mexer com a popularidade, os índices das pesquisas. Eu diria que ela está no piso (das intenções de voto), e tende a crescer. O governador fez isso três anos, ele está no teto. O máximo que ele podia ter de intenção de voto ele tem hoje.

 

Sucessão presidencial

“Histórias de Campos e Marina não batem”

 

Bem Paraná – Diante das movimentações da ex-ministra Marina Silva, como o senhor vê o cenário das eleições presidenciais de 2014?

Zeca Dirceu – Melhorou para a presidenta Dilma. A história, os índices das eleições mostram que quanto menos candidatos mais as chances de ser decidido no primeiro turno. A presidenta tem uma vantagem muito grande em relação aos adversários, ela vem em uma recuperação, em uma tendência de crescimento, ela não está estabilizada nas pesquisas. Eu já considerava a candidatura do (governador de Pernambuco) Eduardo Campos (PSB) a candidatura da incoerência, da falsidade. Uma pessoa que participa de um governo, apoia, ajuda a construir, de uma hora para a outra fazer de conta que não participou, que não conhece, que não tem responsabilidade pelos erros e pelos acertos, em um primeiro momento pode até enganar o cidadão. Mas o cidadão não é bobo, ele percebe que uma pessoa condenar práticas políticas que ele executa em seu estado à exaustão, do fisiologismo, da ocupação de cargos, da velha política, com (o ex-presidente da Câmara) Severino Cavalcanti. Uma pessoa se apresentar como o novo tendo aliados como Ronaldo Caiado, Jorge Borhausen, que são de extrema direita, não funciona. O eleitor não admite ser enganado. E quando você faz a junção dele com a Marina, que a Marina não queria. A história dos dois não bate. O que os dois pensam sobre questões ambientais, desenvolvimento, não fecha. Então isso não vai dar certo. A tendência, na minha avaliação, no ano que vem, é ter uma disputa entre o PT e o PSDB. O PSDB pode ter todos os defeitos que na minha avaliação eles têm, mas eles têm coerência.

 

 

BP – No Paraná a maior votação do PT para o governo foi com o Padre Roque, em 2002 (18%). Tanto o Lula quanto a Dilma tiveram menos votos que o José Serra e o Geraldo Alckmin no Estado. O senhor acha que o partido hoje tem condições de superar isso?

Zeca Dirceu – Acho que a Gleisi já provou isso em 2010 quando ela foi a liderança mais votada de todo o Estado, inclusive do governador. Ela consegue dialogar com forças políticas, com segmentos que vão muito além dos que tradicionalmente o PT conseguiu dialogar no Estado. Não acredito que há uma restrição ao PT. Se não o PT não teria tido, por exemplo, a votação que teve (nas eleições para prefeito em 2012) em Maringá, Cascavel e Ponta Grossa, 46%, 48%, 49% dos votos. Se não o PT não teria ajudado o processo de eleição (do prefeito Gustavo Fruet, do PDT) aqui em Curitiba, com a candidatura da (vice-prefeita) Miriam (Gonçalves). Não acho que o partido seja algo estranho, inaceitável aos paranaenses.

 

 

FONTE: Bem Paraná

 

 

 

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