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Cenários de 2011 – por Zé Dirceu

Em certa medida, este 2011 se inicia com preocupações econômicas já presentes nos últimos meses do ano passado. São elas: 1. Apreciação do real ante o dólar; 2. Controle dos gastos públicos; 3. Taxa de juros elevada; e 4. Tese da demanda alta a pressionar a inflação. Os riscos de inflação de demanda ainda são incertos, porque o crescimento pujante de 2010 é em parte composto pela recomposição das perdas de 2009, um ano de grave crise internacional e marcado pela grande oferta de crédito de curto prazo, mas também porque a redução do ritmo de atividade no terceiro trimestre do ano passado pode significar um arrefecimento e uma adequação da demanda. Trecho do artigo "Cenários de 2011", de José Dirceu, publicado nesta quinta-feira, 6, no "Brasil Econômico". A seguir, leia a íntegra do artigo.

Cenários de 2011 – por Zé Dirceu

Em certa medida, este 2011 se inicia com preocupações econômicas já presentes nos últimos meses do ano passado. São elas: 1. Apreciação do real ante o dólar; 2. Controle dos gastos públicos; 3. Taxa de juros elevada; e 4. Tese da demanda alta a pressionar a inflação.

Os riscos de inflação de demanda ainda são incertos, porque o crescimento pujante de 2010 é em parte composto pela recomposição das perdas de 2009, um ano de grave crise internacional e marcado pela grande oferta de crédito de curto prazo, mas também porque a redução do ritmo de atividade no terceiro trimestre do ano passado pode significar um arrefecimento e uma adequação da demanda.

Há também de se considerar o impacto das medidas adotadas nos últimos meses para enxugar esse crédito de curto prazo.

Tal cenário reforça a avaliação oposta ao interesse do mercado, que quer uma taxa de juros mais elevada. O que precisamos é fazer o contrário, criar condições para diminuir os juros, altamente nocivos aos nossos objetivos de crescimento e de resolução de outros entraves econômicos.

Vivemos uma grande defasagem entre os juros internos e externos, sinalizando ao capital mundial mais volátil que somos um porto atraente. Assim, temos facilitado a entrada de dólares em busca de títulos da dívida pública, agravando o problema cambial e impactando negativamente em nossa dívida.

O novo governo sinaliza com medidas de controle dos gastos públicos, tendo como horizonte encerrar 2014 com uma relação dívida/PIB em 30%. Para tanto, é preciso manter as perspectivas de crescimento de 4% ao ano, mas igualmente diminuir a dívida – novamente, cortar juros se configura uma necessidade.

O que não podemos é comprometer investimento com o controle fiscal, pois também buscamos elevar o nível de investimento sobre o PIB para 25% – hoje, em torno de 19%.

Finalmente, temos a questão cambial a enfrentar. Em linhas gerais, a valorização do real possui três componentes: atração de capitais por conta dos juros, aumento do potencial do Brasil e ação do governo dos EUA.

Ou seja, uma parcela do problema cambial é decorrente dos nossos acertos e, nesse sentido, são desejáveis. Afinal, não podemos conceber um país em franco desenvolvimento, que se projeta para num futuro próximo ser a 5ª economia do mundo, sem atrair investimentos e sem uma moeda forte.

Contar com capital produtivo, que colabore para estruturar nosso desenvolvimento, faz parte dos nossos planos e metas.

O que precisamos, então, é eliminar -ou ao menos reduzir- as pressões cambiais excessivas. Reduzir o espaço para o capital especulativo é uma delas, por exemplo, com mecanismos de taxação gradativa conforme a volatilidade.

A outra vertente, mais complexa, mas que não pode ser descartada, é trabalhar junto às demais nações para encontrar um denominador comum em relação à derrubada do dólar pela ação das autoridades americanas.

No mais, a certeza de que a questão cambial é a mais preocupante e, por isso, a demora em agir pode significar prejuízos indesejados adiante.

Fonte : Brasil Economico, José Dirceu é advogado, ex-ministro da Casa Civil e membro do Diretório Nacional do PT.

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