Polícia Civil recebe pior nota em pesquisa do Ipea sobre segurança pública
A Polícia Civil foi a instituição relacionada à Justiça com a pior avaliação da população na pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) divulgada esta semana. Em uma escala de 0 a 4, a Polícia Civil obteve média 1,81 – o que indica um “mal funcionamento”. Do outro lado da lista, com a melhor nota, aparece a Polícia Federal (PF), com 2,2, índice considerado “regular” pelo Ipea.
A Polícia Civil foi a instituição relacionada à Justiça com a pior avaliação da população na pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) divulgada esta semana.
Em uma escala de 0 a 4, a Polícia Civil obteve média 1,81 – o que indica um “mal funcionamento”. Do outro lado da lista, com a melhor nota, aparece a Polícia Federal (PF), com 2,2, índice considerado “regular” pelo Ipea.
Para o ex-secretário nacional de segurança José Vicente da Silva, um dos motivos para as diferentes avaliações recebidas pelas polícias Civil e Federal são os investimentos distintos recebidos pelas duas instituições. “A PF tem as melhores remunerações entre polícias de todo mundo. Um agente da PF, por exemplo, ganha mais que um similar da polícia de Nova York”, afirma ele. “Em contrapartida, há a desorganização, ine¬¬ficiên¬¬cia e precariedade que marcam o atendimento nas delegacias [da Polícia Civil].”
O delegado-geral da Polícia Civil do Paraná, Marcus Vinícius Michelotto, atribui a má avaliação ao que chamou de “sucateamento constante” a que a instituição vem sofrendo ao longo dos últimos governos. “Eu daria nota 4 aos policiais civis e nota 0 aos investimentos destinados à Polícia Civil. As delegacias não são locais apropriados para atender o cidadão. A falta de estrutura não permite que se dê uma resposta. A população tem razão”, afirma Michelotto.
O superintendente da PF no Paraná, José Alberto de Freitas Iegas, diz que a nota recebida pela instituição está relacionada às investigações de casos “mais elaborados” e de maior repercussão. “Claro que essa qualidade é reflexo de um investimento sério feito ao longo dos anos pelo governo federal, no sentido de tornar a PF em uma polícia de Estado”, disse.
Perspectivas
Para o superintendente Iegas, o desafio é consolidar a posição de destaque da PF e manter o padrão das investigações. “É preciso que essa pesquisa sirva de estímulo e que o trabalho seja constante”, afirma.
Já o delegado-geral da Polícia Civil paranaense vê perspectivas de melhorias no médio prazo. Ele garante que o governo do estado tem um plano de segurança que inclui a contratação de pessoal, remoção de presos provisórios de delegacias e melhoria da estrutura física dos prédios dos departamentos de polícia. “Se eu não tivesse certeza da mudança para melhor, eu jamais aceitaria ser delegado-geral”, afirma ele.
Já o especialista em segurança José Vicente da Silva não vê qualquer perspectiva de melhoria do quadro. “Não há um plano consistente, uma política sólida de segurança pública. O discurso dos governos de integração entre as políciais não quer dizer nada, porque não há preparação, não há treinamento”, afirma.
