Em visita à Comunidade do Alecrim, Zeca Dirceu leva solidariedade às famílias dos posseiros
Parlamentar esteve na comunidade na última semana
O clima na comunidade Alecrim, na cidade do Pinhão, é pesado. Para qualquer lado que se olhe, há moradores (posseiros) que se abrigam sob lonas. A situação já se estende há mais de duas semanas, desde que o Governo do Estado do Paraná deu ordens à Polícia Militar para a desapropriação das terras. A ação foi truculenta, casas foram derrubadas e mais de 20 famílias vivem agora ao relento. O posto de saúde ficou completamente destruído e até mesmo as paredes da Igreja foram postas a baixo.
As famílias de posseiros já ocupavam as terras há pelo menos 20 anos. A efetivação da reintegração de posse se deu após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) considerar que os terrenos deveriam ser devolvidos às Indústrias José Zattar S.A. A indústria madeireira é uma das maiores devedoras da União.
Ao final da tarde do último sábado, a chuva começara a cair fina. As crianças corriam para se abrigar debaixo das lonas. Ao longe, moradores avistaram a chegada do deputado federal Zeca Dirceu do Partido dos Trabalhadores. Alguns recuaram, outros se aproximaram. A visita não foi marcada por formalidades políticas, tão pouco por discursos. O parlamentar apenas se solidarizou e conversou com alguns moradores.
“Eu estava cumprindo algumas agendas na região e fiz questão de levar um abraço fraterno a cada família, mas confesso que fiquei chocado. Crianças, mães, agricultores, todos desolados”, relata. “Essas famílias viviam e produziam há mais de 20 anos naquelas terras, que fui informado de serem públicas, mas. mesmo assim. houve muita injustiça. A ação do governo do estado. que determinou o cumprimento da reintegração de posse. é um descaso completo com a toda a situação, mas, principalmente, é um ato sem a menor humanidade”, completou.
Mais tarde, o prefeito da cidade, Odir Gotardo, recebeu em seu gabinete o deputado Zeca Dirceu. A administração também sente pelas famílias. “Toda a comunidade está muito machucada com essa ação invasiva. Tem gente que está abandonando as suas casas e indo embora”, relatou. “O nosso medo é que isso seja apenas o início para outras ordens de despejo, mas o importante é que toda a comunidade se solidarizou e se manifestou”.
A situação agrária e os conflitos na região do Pinhão são uma das mais emblemáticas no Paraná. As disputas entre os posseiros e as empresas, em especial a madeireira Zattar, se estendem desde a década de 40. A ocupação da área pela empresa ocorreu em detrimento de famílias de pequenos agricultores que já habitavam as terras desde o Brasil imperial. Elas foram expulsas e assim a indústria constituiu um dos maiores complexos latifundiários do Paraná.
Estima-se que antes da chegada da empresa quase 2 mil famílias de posseiros viviam em comunidades tradicionais, conhecidas como faxinais. A madeireira chegou a ocupar 80 mil hectares na região centro-sul do estado. Já para os faxinalenses, instalou-se uma luta desigual pela titularidade das terras. Atualmente, são 12 acampamentos sem terra em uma área total de 60 mil hectares e aproximadamente dois mil acampados. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) classifica a região como o terceiro maior polo de reforma agrária no Estado.
