Mudança permite que venda de títulos permaneça competitiva
A mudança nas regras da poupança foi realizada de forma a evitar uma migração de grandes investidores (que aplicam em fundos de renda fixa, DI, títulos públicos), pois permite que a emissão de títulos públicos pelo Tesouro Nacional para pagar os papéis que estão vencendo continue atrativa, mesmo se a Selic estiver abaixo de um limite de cerca de 8% ao ano.
A mudança nas regras da poupança foi realizada de forma a evitar uma migração de grandes investidores (que aplicam em fundos de renda fixa, DI, títulos públicos), pois permite que a emissão de títulos públicos pelo Tesouro Nacional para pagar os papéis que estão vencendo continue atrativa, mesmo se a Selic estiver abaixo de um limite de cerca de 8% ao ano. Dessa forma, eles não se sentirão estimulados a deixar de comprar títulos públicos e migrar para a poupança, que se tornaria mais rentável que outras aplicações (veja gráfico).
Atualmente, os juros básicos da economia estão em 9% ao ano, pouco acima dos 8,75% ao ano fixados pelo Banco Central (BC) entre julho de 2009 e abril de 2010, durante a primeira fase da crise financeira internacional iniciada em 2008.
Rendimento – A alteração nas regras não afetará imediatamente os aplicadores da poupança, apenas caso a Selic fique abaixo dos 8,75% ao ano e só incidirá sobre os depósitos feitos a partir da edição da Medida Provisória. Assim, quem tem uma caderneta de poupança terá o saldo corrigido de duas formas: pelo rendimento tradicional, para o dinheiro guardado até hoje e pela nova regra, para os futuros depósitos.
Quando a taxa básica de juros cair para o patamar de 8,5%, a remuneração da poupança será de 70% da Selic mais TR (veja tabela com a simulação da variação do rendimento). “Por exemplo, se a Selic chegar a 8%, a rentabilidade da caderneta será de 5,6% a.a. + TR. Mas essa regra só vale para novos depósitos. Para as cadernetas com depósitos até hoje fica tudo igual”, reforçou o ministro Guido Mantega.
Poupança – Com mais de 150 anos de existência, a poupança foi criada durante o período imperial como uma forma de investimento simples e acessível. De acordo com dados do BC, no final de 2011, quase 98 milhões de brasileiros tinham cadernetas de poupança. No dia 25 de abril, o saldo dos depósitos estava em R$ 431,2 bilhões. No mês passado, até o dia 25, os depósitos superavam as retiradas em R$ 91,8 milhões.
Outro relatório do BC mostra que a maioria dos depósitos em poupança é de pequenos valores. Em 2011, 52,34% eram depositantes (51,288 milhões) de até R$ 100. Depósitos de R$ 100,01 a R$ 500 representavam 13,46% do total e de R$ 500,01 a R$ 1 mil, eram 6,65%. Depósitos com valores acima de R$ 1 milhão vinham de 7.118 depositantes ou 0,007% do total de brasileiros que têm caderneta de poupança.
Expectativa é de redução do custo de empréstimos
O governo espera que a redução da taxa de juros provoque queda na taxa de captação dos investimentos e, consequentemente, nos custos financeiros dos empréstimos ao consumidor. A expectativa, de acordo com o ministro Guido Mantega, é que esse novo cenário de taxa de juros reduzida e menor custo financeiro dos bancos tenha impacto positivo sobre a economia. “A economia brasileira está num momento importante e reúne condições de crescer sustentavelmente, com mais acesso do brasileiro a bens e serviços”.
O ministro disse que a mudança não traz o risco de redução da formação de fundo para o setor imobiliário. Para Mantega, ao captarem recursos com menor custo, os bancos também podem emprestar a um custo menor. “A população brasileira quer comprar imóvel e os bancos anunciam empréstimos habitacionais a custos cada vez menores, ou seja, não há risco de redução de funding”.
Secom
