Juventude: responsabilidade do coletivo partidário – por Amanda Lemes e Mariana Dutra
Desde 2010, o PT do Paraná vêm trazendo em sua pauta a questão da juventude com responsabilidade coletiva. Porém, ainda há muito o que avançar no que diz respeito ao entendimento do que é juventude e ainda na tática a ser implementada para que esta noção se desdobre em uma maioria dos municípios do estado. Para tanto é preciso entender algumas conceituações a respeito do que quer dizer ser juventude. Trecho do artigo "Juventude: uma responsabilidade de todo o coletivo partidário", de Amanda Lemes e Mariana Dutra. Leia a seguir a sua íntegra.
Juventude: uma responsabilidade de todo o coletivo partidário
Amanda Lemes e Mariana Dutra
É um equívoco pensar, em qualquer organização partidária, que a responsabilidade pelos seus coletivos menos organizados é responsabilidade exclusiva dos indivíduos que os compõe. Setoriais e secretarias específicas do PT são responsabilidade de todo o Partido dos Trabalhadores, desde a sua base até as mais altas instâncias de direção.
Desde 2010, o PT do Paraná vêm trazendo em sua pauta a questão da juventude com responsabilidade coletiva. Porém, ainda há muito o que avançar no que diz respeito ao entendimento do que é juventude e ainda na tática a ser implementada para que esta noção se desdobre em uma maioria dos municípios do estado. Para tanto é preciso entender algumas conceituações a respeito do que quer dizer ser juventude.
A juventude é uma condição social, parametrizada por uma faixa-etária, que no Brasil congrega cidadãos e cidadãs com idade compreendida entre os 15 e os 29 anos. Em termos políticos e sociais, os e as jovens são sujeito de direitos coletivos. Sua autonomia deve ser respeitada, suas identidades, formas de agir, viver e se expressar valorizadas. E para tanto há algumas questões a serem entendidas e superadas: a dubiedade advinda das contraditórias representações sociais sobre a condição juvenil; a sociedade contemporânea é, paradoxalmente, juventudocêntrica, ao mesmo tempo em que é crítica da juventude.
Em termos gerais, ser jovem é uma condição social com qualidades específicas e que se manifesta de diferentes maneiras, segundo características históricas e sociais. Ser jovem no Brasil contemporâneo é estar imerso, por opção ou por origem, em uma multiplicidade de identidades, posições e vivências. Daí a importância do reconhecimento da existência de diversas juventudes no país, compondo um complexo mosaico de experiências que precisam ser valorizadas no sentido de se promover os direitos dos/das jovens. O reconhecimento dos direitos específicos da juventude já exige a superação de pré-conceitos, obrigando o convencimento da opinião pública, a consideração das diversas identidades juvenis como alicerce desse conjunto de direitos torna o quadro ainda mais complexo.
Os direitos da juventude pertencem à terceira geração de direitos – consagração dos direitos difusos – pelo fato de serem direitos atribuídos a grupos sociais e não a indivíduos e sua violação compromete o conjunto da sociedade.
No mundo contemporâneo a matriz política é definida pelo reconhecimento e valorização da diferença e das identidades coletivas. Impondo assim, a necessidade de articular a busca da igualdade individual de condições com a valorização da diferença. Isso é atributo essencial para a afirmação de direitos e, conseqüentemente, para a elaboração e implementação de políticas públicas.
Assim, a Juventude do Partido dos Trabalhadores do Paraná deve pautar suas ações no sentido de articular o centro estratégico partidário definido pelo Diretório Estadual do PT-PR sem perder de vista a condição social das juventudes no Estado.
No planejamento estadual da Executiva do PT foi tirado como centro estratégicos quatro linhas fundamentais: a organização partidária em todos os municípios do Paraná; a atuação qualificada nas eleições municipais em 2012; uma melhor inserção nos movimentos sociais; e a qualificação da comunicação como um instrumento político-partidário, tanto interna como externamente. Isto tudo pautado pelo grande desafio de ser governo e oposição ao mesmo tempo, com a tarefa de evidenciar no Paraná as políticas aplicadas pelo Governo Federal, para contrapor as possíveis políticas aplicadas pelo Governo do Estado, em uma linha neo-liberal .
Quanto à juventude petista, deve caminhar neste mesmo centro estratégico, guardando as devidas dimensões de uma organização de juventude. Entre as principais ações a serem realizadas está o mapeamento dos coletivos de jovens petistas nos municípios do Paraná para que a partir disso possamos construir algumas ações organizadas, de atuação nos movimentos sociais populares, que incluem o movimento estudantil, agrário, sindical, de bairro, religioso, cultural, de mulheres, LGBT, negros, entre outros. E ainda atuação institucional de organização das secretarias municipais de juventude do PT. E ambas as construções juntas, tanto os movimentos populares juvenis como a organização dos jovens no Partido, devem elaborar e atuar para a construção de Políticas Públicas de Juventude.
Amanda Lemes e Mariana Dutra são da Juventude do PT/PR
