Inflação de janeiro é a menor desde 2009 e mostra trajetória de queda
O IBGE divulgou a inflação de janeiro: 0,55%. Foi uma taxa muito inferior à inflação de janeiro de 2013, que tinha sido 0,86%.
O IBGE divulgou a inflação de janeiro: 0,55%. Foi uma taxa muito inferior à inflação de janeiro de 2013, que tinha sido 0,86%.
Assim, a inflação acumulada em 12 meses retomou a trajetória de queda após o repique de dezembro. Inflação de 0,55% em janeiro é a menor desde 2009, quando o índice tinha sido de 0,48%. A mídia, como sempre, minimizou o dado, em função do software do jornalismo adversativo, que sempre mostra um porém diante de fatos positivos. Em dezembro do ano passado, o índice tinha acelerado para 0,92%, na maior alta mensal desde abril de 2003, quando atingiu 0,97%. Em janeiro do ano passado, a inflação tinha subido 0,86%.
O IPCA mede a inflação para as famílias com renda de um a 40 salários mínimos em nove regiões metropolitanas do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Fortaleza, Belém, a além do município de Goiânia e de Brasília. O grupo de Transportes foi o principal responsável pela desaceleração da inflação no mês passado. Os preços deste segmento tiveram leve queda de 0,03%, depois de terem subido 1,85% em dezembro.
O principal destaque foram os preços das passagens aéreas, que caíram 15,88% em janeiro, depois de subirem 20,13% em dezembro. Os combustíveis, de alta de 4,12% foram para alta de 0,77%, entre dezembro e janeiro. O preço do etanol também subiu no mês, mas em ritmo menor: depois da alta de quase 5% em dezembro, avançou 1,43% em janeiro. O óleo diesel passou de alta de 4,89% para alta de 0,91%. "Não temos uma inflação alta, temos uma inflação moderada e controlada", diz o professor João Sicsú, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e ex-diretor do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Para ele, hoje há uma discussão "mais política do que técnica" em torno do tema. Ele lembra que o país está completando uma década de inflação dentro da meta, que vai até 6,5%. “Mas temos de buscar uma inflação cada vez menor, porque é um elemento que dificulta a distribuição de renda”, observa. Nesse sentido, Sicsú afirma que não adianta aumentar os juros como forma de reduzir a inflação. "Acho que cabe, mais que ao Copom (Comitê de Política Monetária), cabe ao governo, elaborar elementos mais sofisticados do que os juros para o combate à inflação. A taxa de juros tem custo fiscal e de desaceleração do crescimento. É o samba de uma nota só.
Inflação deve ser tratada com inteligência. É preciso buscar a causa e atacá-la." Nos últimos anos, o economista e pesquisador lembra que o custo de vida vem sendo pressionado, basicamente, pelos itens ligados ao grupo de Alimentação e Bebidas – que subiu 9,86% em 2012 e 8,48% em 2013, respondendo respectivamente por 38% e 34% do IPCA. "Isso vem de causas climáticas, de especulação no mercado internacional de commodities. A taxa de juros não é capaz de conter essa inflação. Não terá nenhum impacto sobre o tomate ou o trigo", diz Sicsú.
Outro item de pressão é o custo com serviço doméstico, com influência do salário mínimo. "Mas o salário mínimo tem cumprido um papel muito mais positivo, em termos de distribuição de renda, do que a inflação que provoca em algum nível." Ele lembra que o país já superou, por exemplo, a inflação causada pelos chamados preços administrados (monitorados pelo governo). "Manter o contato com base no IGP era um tiro no pé, por ser um índice muito sensível à variação cambial.
O que derrubou a inflação em 2007/2008 não foram os juros, mas a mudanças nos contratos dos preços administrados." Para este ano, a inflação de 2014 não deverá mostrar resultado muito diferente dos últimos anos, "a não ser que aconteça algo extraordinário no mundo", e se manter abaixo de 6%. "Mas toda a ênfase vai ser dada aos preços de alimentos e bebidas. A discussão vai ser política-eleitoral", lembra. "O embate vai ser difícil, porque será concentrado no que mais tem variado (custos com alimentação) e que é muito sensível. E quando menor a renda, maior a parcela gata com alimentos."
