Funcionária é demitida por participar de protesto
Um novo fato chama, mais uma vez, a atenção na Assembleia Legislativa do Paraná, depois de prevalecer à aprovação do projeto de lei nº 915/2011, que estabelece a parceria entre o Governo do Paraná e as chamadas Organizações Sociais (OSs), pela base governista do estado, o presidente da Assembleia, Valdir Rossoni, toma uma atitude, no mínimo exagerada, ao demitir uma funcionária por participação na manifestação contrária a aprovação da lei, na segunda-feira à tarde. O site Bem Paraná traz a reportagem e fala da atitude do presidente Rossoni, que mais uma vez fez predominar à falta de opinião popular. Acompanhe a reportagem.
“Os que participaram serão sumariamente demitidos. Servidor tem que dar o exemplo”
O presidente da Assembleia Legislativa, Valdir Rossoni (PSDB), anunciou ontem a demissão de Amanda Jaqueline Teixeira do cargo de confiança da Comissão do Mercosul, por supostamente ter participado da manifestação que resultou na invasão do plenário da Casa na véspera. Segundo Rossoni, a demissão foi decidida pela Mesa Executiva que considerou que a servidora teria incorrido na “prática de conduta incompatível com o exercício da função pública”.
O tucano afirmou ainda que a Casa vai analisar as imagens da sessão para verificar se outros servidores da Assembleia participaram da manifestação, o que pode levar a novas demissões. “Os que participaram serão sumariamente demitidos. Servidor tem que dar o exemplo”, disse, anunciando ainda que eles serão denunciados ao Ministério Público.
Segundo informações da Assembleia, Amanda teria sido indicada para o cargo pelo deputado José Aparecido Lemos (PT). Ele afirmou ter tido conhecimento da demissão pela imprensa e disse que não teve tempo de conversar com a servidora. Lemos negou ter articulado a invasão do plenário, como alguns parlamentares governistas chegaram a acusar. “Não contribuí para que ninguém entrasse no plenário. O funcionário tem que assumir as conseqüências dos seus atos”, disse, afirmando, porém, que não se deve “pegar ninguém como bode expiatório”. Segundo Lemos, Amanda deve responder um processo administrativo, quando terá oportunidade de se defendr. “Não dá para dizer que não teve falha. Mas é preciso cuidado para não exagerar”, disse.
O líder da oposição, Ênio Verri (PT), considerou a demissão exagerada, e disse que vai conversar com Rossoni para tentar revertê-la. “Não é adequado nem democrático. O debate político às vezes há excessos”, avaliou.
Além da ameaça verbal e física aos parlamentares, a atitude de pessoas ligadas a deputados do PT, segundo Praczyk, envolvidos na confusão e até incitando à violência, inclusive contra os seguranças da Casa, é algo que precisa ser avaliado com muito critério, pois alguns funcionários lotados em gabinetes “participaram ativamente dos atos de vandalismo e ameaças, além de incitação à violência durante o tumulto”.
Presidente do Conselho de Ética da Assembleia, o deputado Edson Praczyk (PRB) criticou, sem citar nomes, “a atitude de pessoas ligadas a deputados do PT, envolvidos na confusão e até incitando à violência, inclusive contra os seguranças da Casa”. O presidente da Assembleia, porém, descartou o envolvimento de deputados na invasão. “Acho que houve erro de funcionários, mas da parte dos deputados tive o apoio de todos”, garantiu.
Ivan Santos – Portal Bem Paraná
