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Deserto Made In Brazil, por Erick Xavier

O inverno acabou. Mas alguém viu ele começar? Ouvi dizer que em alguns lugares realmente fez frio. Muito frio! Mas na maior parte de nosso país tropical abençoado por Deus e bonito por natureza tivemos um longo verão, muito quente e muito seco.

O inverno acabou. Mas alguém viu ele começar? Ouvi dizer que em alguns lugares realmente fez frio. Muito frio! Mas na maior parte de nosso país tropical abençoado por Deus e bonito por natureza tivemos um longo verão, muito quente e muito seco.
 
Ora! Não é de se espantar. Grande parte do Brasil está localizada no que eu poderia chamar de deserto potencial. Sim, um deserto. Próximo às latitude 15° S 30° S, o ar frio e seco desce do alto da atmosfera e começa a esquentar retirando a umidade por onde ela passa. Desse modo, a massa de ar quente e seca provoca intensa evaporação nas regiões da superfície terrestre por onde anda, ajudando a originar um "cinturão" subtropical de desertos como oAtacama na América do Sul o Kalahari na África.

Se você sofreu nos últimos dias com esse inverno e se você vive em uma região que está localizada entre os paralelos15° S 30° S, saiba que potencialmente você viverá em um deserto. Ano após ano é possível que esta massa de ar seco, que esteve sobre o nosso país e que impede o avanço das frentes frias, venha a durar mais e mais tempo ao longo do ano. Basta que demos um empurrãozinho em nosso deserto tupiniquim.
Vamos lá! Como podemos fazer nosso deserto dar certo? É muito simples. É só nos descobrirmos por que é que o Brasil não foi contemplado entre seus paralelos 15° S 30° S com um deserto particular de clima seco e quente e que dure o ano inteiro.

A resposta está na Zona de Convergência do Atlântico Sul que aqui vou chamá-la por um nome mais bonitinho: rios voadores. Estes rios voadores são nada mais, nada menos, do que 20 trilhões de água diários que passam sobre nossas cabeças levados pelos ventos irrigando, abastecendo, molhando e umedecendo nosso país. Para efeito de comparação o maio rio do mundo, o rio Amazonas despeja 17 trilhões de água no oceano atlântico.

Estes rios voadores nascem das árvores que compõem nossas florestas, em especial a floresta amazônica. Uma árvore de 10 metros de diâmetro de copa, como as que temos na arborização urbana de nossas cidades, lança sozinha na atmosfera 300 litros de água em um único dia e uma árvore mais frondosa de 20 metros de diâmetro de copa, bombeia mais 1100 litros de água num mesmo período. As árvores são verdadeiras bombas d’água que produzem chuvas torrenciais e fazem nascer nossos rios voadores.

Pois bem, agora sabemos onde nascem os rios voadores que desaguam em nosso país e que impede que ele se torne um grande e lindo deserto. Agora ficou fácil criar nosso próprio Saara, basta desligar as bombas d’água derrubando nossas árvores. Com isto teremos nossa forte, permanente e impenetrável massa de ar seco impedindo todas as chances de que ventos tragam chuva e esperança.

Parece loucura, mas é exatamente isso que estamos fazendo diariamente, eliminando as florestas nacionais em prol de um avanço econômico sem critérios, como se a agricultura e a pecuária não precisassem de água. Neste último dia 21 de setembro comemoramos o dia da árvore e o início da primavera estação que simboliza o despertar da natureza e os ciclos de renovação das pessoas. Uma boa hora para repensar o que queremos para nossa terra, nosso país e principalmente para a nossa vida.

Por: Erick Caldas Xavier – Secretário Executivo do Coripa, Secretário de Meio Ambiente e Turismo de S. J. do Patrocínio, Conselheiro do Conselho Estadual de Recursos Hídricos e Vice-presidente do CRBio 07.

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