Ele é a minha cara!
Quem pensa que é puro folclore a frase que serve como título para esta matéria vai se surpreender. Com mais de 40 anos de experiência como veterinário, Carlos Roberto de Assis, da Clínica São Francisco de Assis, garante: muitos cães realmente se parecem demais com os donos.
Quem pensa que é puro folclore a frase que serve como título para esta matéria vai se surpreender. Com mais de 40 anos de experiência como veterinário, Carlos Roberto de Assis, da Clínica São Francisco de Assis, garante: muitos cães realmente se parecem demais com os donos. “O cachorro é o animal mais sensível que existe. Ele é sentimental, sente saudades, amor, medo, angústia e depressão com mais intensidade que outros animais”, afirma.
Essa sensibilidade (aliada à inteligência canina) seria a responsável por criar uma simbiose entre o cão e quem o cuida. “O cachorro absorve não apenas o que lhe é ensinado. Existe o aprendizado não dirigido, que se dá pela observação e imitação sem que o dono esteja consciente disso”, explica.
“De todos os cachorros que tive na vida, com certeza a Greta Garbo é a que mais se parece comigo”, conta a advogada Sandra Carollo sobre a cachorrinha que adotou na Sociedade Protetora dos Animais. “Assim como eu, ela é muito reservada, um pouco antissocial e muito leal.” Greta Garbo adquiriu alguns hábitos da dona, como dormir com a cabeça totalmente coberta mesmo quando faz muito calor e o fraco por sorvete de palito. “Vamocaracs à padaria todo fim de tarde e ela me acompanha no picolé.” A advogada confessa que até ela pegou alguns costumes da cachorrinha: “Ela vai algumas vezes por dia ao terceiro andar da casa e de lá observa se está tudo em ordem. Hoje faço o mesmo. Ela desenvolveu em mim esse senso de estar alerta”, diz.
Dois lados
As duas schnauzer Sofia e Frida têm jeitos opostos: uma é calma, educada, doce e a outra, escandalosa e agitada. “Acho que as duas se parecem demais comigo. Cada uma representa uma face da minha personalidade, que muitas vezes é contraditória”, diz Ana Lúcia Ribas de Souza, psicóloga de formação, que hoje trabalha com hospedagem de animais. Outra coincidência está na aparência: Ana tem o cabelo grisalho e as duas cachorrinhas são acinzentadas. “Nos parecemos muito até no visual.”
Ela também é protetora independente e se dedica a resgatar animais e achar para eles novos lares, o que a faz ter muito contato com animais e seus donos. Recentemente ela encaminhou a daschund Dolly para a casa da secretária Bruna Cercachim. “Ambas têm temperamento alegre e brincalhão. São bagunceiras e tinhosas”, conta Ana, certa de que achou o lar perfeito para a cachorrinha.“Vejo isso o tempo todo. Inevitavelmente o cão passa a parecer-se ao seu tutor, na maioria das vezes, sem que ele perceba”, comenta. Ela atribui o fenômeno ao convívio intenso e ao entendimento perfeito entre cão e ser humano.
FONTE: Natália Núñez / GAZETA DO POVO
