Dilma instala a Comissão da Verdade e é aplaudida de pé
A presidente Dilma Rousseff instalou na manhã desta quarta-feira a Comissão da Verdade, quase seis meses depois de sancionar a lei que a criou. Dilma fez questão de destacar que para chegar a esse momento, foi preciso que todos os governos que a antecederam ajudassem a construir as condições para isso. Na cerimônia, os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, José Sarney e Fernando Collor estão presentes.
A presidente Dilma Rousseff instalou na manhã desta quarta-feira a Comissão da Verdade, quase seis meses depois de sancionar a lei que a criou. Dilma fez questão de destacar que para chegar a esse momento, foi preciso que todos os governos que a antecederam ajudassem a construir as condições para isso. Na cerimônia, os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, José Sarney e Fernando Collor estão presentes.
– Cada um de nós é responsável por esse momento histórico de celebração. Esse é um processo culminante da luta pela democracia. Um processo construído passo a passo durante cada um dos governos eleitos após a didatura – disse Dilma.
A presidente citou que a criação do grupo que estudou a criação da Comissão da Verdade ocorreu no governo de Fernando Henrique, salientando que foi a primeira vez que se fez esse movimento que resultou no colegiado instalado hoje. Dilma citou ainda que no governo Fernando Collor, quando foram abertos os arquivos do DOPS de São Paulo e do Rio de Janeiro. Na sequência, ela só não citou o ex-presidente José Sarney.
– O Brasil deve render homenagens às mulheres e aos homens que buscaram a verdade histórica. É certamente, por isso, que estamos todos juntos aqui.
A presidente Dilma começou o discurso, com homenagens especiais aos ex-presidentes da República, mas com aplausos efusivos dos convidados do Palácio do Planalto apenas para Lula.
– Queria iniciar citando o deputado Ulysses Guimarães, que se vivesse ainda ocuparia lugar de honra nessa solenidade. Como disse Ulysses uma vez: a verdade não mereceria esse nome se morresse quando censurada, a verdade não morre por ter sido escondida. Mas não é justo que continuemos afastados dela à luz do dia – disse a presidente.
– Temos o direito de esperar que na democracia, a verdade, a memória e a história venham à superfície. A palavra verdade não abriga ressentimento, ódio, nem tampouco perdão.
Dilma destacou que essa é uma iniciativa do Estado brasileiro e não apenas uma ação de governo, e que não haverá revanchismo.
– A comissão não nos move o revanchismo, o ódio nem o desejo de reescrever a história, mas mostrar o que aconteceu, sem camuflagem, sem vetos. Por isso muito me alegra estar acompanhada por todos os presidentes que me atencederam nesses 28 perdidos anos – disse a presidente, que foi ovacionada.
Antes do início da cerimônia, Dilma desceu a rampa para o salão de cerimônia ao lado de Lula e FH, os dois últimos presidentes antes dela. José Sarney e Fernando Collor estavam mais atrás, ao lado do vice Michel Temer e do presidente do Supremo Tribunal Federal, Ayres Brito.
Foram lidos os nomes de todos os membros da comissão, que assinaram o termo de instalação do colegiado, com fortes aplausos. Quando o nome de Maria Rita Kehl foi anunciado, foram ouvidas manifestações empolgadas dos presentes, que aumentaram ao anúncio de Rosa Maria Cardoso da Cunha, que foi aplaudida de pé por parte da platéia.
André de Souza, O Globo
Blog do Noblat
