Ir para o conteúdo

Brasília e Assunção buscam superar ameaças a brasiguaios

Os governos do Brasil e do Paraguai estão atentos à situação dos milhares de agricultores brasileiros no Departamento de Alto Paraná, ao Leste do país vizinho. Os chamados "brasiguaios", na região desde os anos 70, agora estão ameaçados de terem suas propriedades invadidas por integrantes Associação dos Carperos, os sem-terra do Paraguai.

Os governos do Brasil e do Paraguai estão atentos à situação dos milhares de agricultores brasileiros no Departamento de Alto Paraná, ao Leste do país vizinho. Os chamados "brasiguaios", na região desde os anos 70, agora estão ameaçados de terem suas propriedades invadidas por integrantes Associação dos Carperos, os sem-terra do Paraguai.
 
Em reunião com o Conselho de Ministros, o presidente paraguaio, Fernando Lugo, manifestou sua preocupação com a segurança na região. Seu chefe de Gabinete Civil, Miguel Angel López Perito, adiantou que compromisso do governo é garantir não só a integridade dos brasileiros mas, também, impedir a invasão de propriedades privadas no país.
 
"Há um compromisso do governo Lugo em buscar uma solução para o fim do impasse. Porém, é um assunto que tem de ser resolvido no âmbito da Justiça. O esforço das autoridades paraguaias é para garantir a segurança a todos os envolvidos" adianta Didier Olmedo, encarregado de Negócios do Paraguai no Brasil.
 
Do lado brasileiro, a ministra-chefe da Casa Civil, Gleise Hoffmann atua como representante do nosso governo e nos entendimentos que mantém com o gabinete do governo de Assunção. Ela pediu proteção, cuidados e atenção especial do Paraguai para com os brasileiros. O governo paraguaio prometeu, ainda, investigar as agressões contra brasileiros em Alto Paraná. Sua polícia permanece no local e uma equipe técnica – indicada pelo próprio presidente Lugo – será formada para mediar a questão.
 
As origens do conflito
 
O conflito começou quando 18 mil hectares de terra, pertencentes a 30 produtores brasileiros começaram a ser demarcados pelo Instituto Geográfico Militar paraguaio.  Os "carperos" passaram a pressionar e a acompanhar "in loco" as demarcações, exigindo que o governo do presidente Lugo exproprie 160 mil hectares de terras ocupados por brasileiros, localizados a menos de 50 km da fronteira paraguaia com o Brasil.
 
A situação degenerou para agressões e ameaças de invasão de terras dos brasiguaios há mais de 40 anos na região. “A situação é preocupante", afirma o deputado Zeca Dirceu (PT-PR). Ele ressalta que os brasiguaios vivem de forma legal no país vizinho.
 
Além disso, geram riqueza como produtores de soja – no ano passado aumentaram a produção em 15% em relação a 2010 – e estão perfeitamente integrados à sociedade local. "As alegações de que os agricultores não são paraguaios e não têm documento são infundadas. Há anos eles já têm os títulos de propriedade, muitos já possuem cidadania e/ou seus cônjuges e filhos são paraguaios", completa.
 
Garantias são necessárias
 
Para acompanhar e mediar a questão, o deputado Zeca propõe a criação de uma Comissão na Câmara, com participação dos Ministérios da Justiça e Relações Exteriores para acompanhamento da situação. Segundo o parlamentar, é importante que o governo paraguaio regularize a situação fundiária, mas sem deixar de considerar os direitos daqueles que vivem há anos na região. "O governo paraguaio precisa dar garantias de que não haverá invasão e, sobretudo, esclarecer o objetivo da demarcação destas terras", conclui Zeca.

Fonte: Blog do Zé Dirceu

Continue lendo

Leia também

Direto no seu celular

Receba as ações do mandato

Cadastre-se e acompanhe em primeira mão as ações do mandato e as conquistas para a sua cidade.