Artigo: Acidente de ex-BBB escancara condições precárias do trabalho de motoristas de aplicativo
Por Zeca Dirceu(*)
Não é de hoje que a precarização das relações trabalhistas vem colocando nossos trabalhadores em situações degradantes e perigosas. O acidente envolvendo o ex-BBB Rodrigo Mussi reacendeu um antigo alerta que temos feito desde a aprovação da reforma trabalhista: a precarização do trabalho por aplicativo.
O acidente do ex-brother só relembrou e escancarou as condições precárias de trabalho que esses profissionais de plataformas digitais, que por muitas vezes encaram jornadas de 14, 15 e até 18 horas seguidas de trabalho, enfrentam para poder levar o pão de cada dia para casa.
Desde a aprovação da reforma trabalhista, que completou três anos em novembro de 2021, nos deparamos com um crescimento considerável da taxa de desemprego e o crescente número de brasileiros que se sujeitaram a subempregos.
Em 2019, a taxa média de desemprego estava em 11,9%, de acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, divulgada pelo IBGE. Com a pandemia esse número se potencializou e a precarização dos direitos trabalhistas ficou ainda mais evidente.
A uberização é um fenômeno da exploração da mão de obra. As críticas e reclamações desses trabalhadores são muitas e geralmente envolvem a carência de segurança, baixa garantia na qualidade dos serviços, ausência de direitos trabalhistas, somados a pouca remuneração e omissão das empresas em caso de acidentes.
(*) Deputado federal do Paraná pelo Partido dos Trabalhadores e vice-líder da Minoria na Câmara dos Deputados
