A decepção Obama, por Zé Dirceu
Durou dois dias a visita do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ao Brasil, e passada a exagerada euforia de nossos meios de comunicação com a presença do “homem mais poderoso do mundo”, uma análise sóbria do saldo de sua vinda revela muito pouco. Comentei anteriormente que o interesse de Obama no Brasil é um elogio ao desenvolvimento e à crescente influência que nosso país tem no cenário internacional, mas um elogio algo vazio: não se converteu em acordos comerciais de relevância, tampouco no apoio político que esperávamos para reformar o Conselho de Segurança da ONU e incluir o Brasil como integrante permanente. Uma decepção. Os acordos assinados são tímidos se comparados ao potencial de negócios que os dois países têm a fazer –desde que os norte-americanos revejam sua absurda política de subsídios à produção interna. Já a declaração por meio de nota oficial conjunta sobre a inclusão do Brasil no Conselho de Segurança da ONU é quase lacônica: usa termos não comprometedores como “apreço à ideia” de um assento permanente para nosso país, e coloca os Estados Unidos como nossos “parceiros”. É pouco. Hoje, se posta em discussão a reforma da ONU, não há garantia sequer de que os EUA votariam favoravelmente, quanto mais fazer campanha pela inclusão do Brasil no CS. do jornal O Globo.
