Invasões impulsionaram reforma agrária, afirma presidente do Incra
Ao assumir o cargo, o presidente do Incra (Instituto Nacional da Colonização e Reforma Agrária), Celso Lacerda, falou o que muitos não têm coragem, de forma bastante realista, dentro da conjuntura observada nas últimas décadas. Segundo ele, as invasões de propriedades rurais por sem-terra impulsionaram a reforma agrária no país. "Se não tivesse o conflito, não teria o que a gente tem de reforma agrária no país. Isso é comprovado", disse Lacerda.
Ao assumir o cargo, o presidente do Incra (Instituto Nacional da Colonização e Reforma Agrária), Celso Lacerda, falou o que muitos não têm coragem, de forma bastante realista, dentro da conjuntura observada nas últimas décadas. Segundo ele, as invasões de propriedades rurais por sem-terra impulsionaram a reforma agrária no país. "Se não tivesse o conflito, não teria o que a gente tem de reforma agrária no país. Isso é comprovado", disse Lacerda.
Para o agrônomo, a ação ou inoperância do Estado, décadas atrás, fomentou os trabalhadores a se organizarem em movimentos e começarem a ocupar e invadir terras. "Sou contra o conflito. Quem é a favor? Mas a história mostrou isso". Realmente, a velha máxima, em alguns casos, de que “se não for por amor, seja pela dor”, sobrepôs-se no Brasil.
O sistema manteve-se estratificado por muito tempo no país, seguindo a lógica das capitanias hereditárias, com uma nova nomenclatura de latifúndios. Graças ao governo do PT, essa lógica começou a mudar e os movimentos oprimidos, a exemplo dos Sem-Terra, passaram a organizar-se e a requerer o direito legal da terra.
O novo presidente do Incra, ressalta, entretanto, que existe uma “banalização" com a multiplicação de movimentos sociais agrários no país nos últimos anos.
Segundo informou, o Incra trabalhará para ajudar a atual gestão a cumprir a promessa de erradicar a miséria extrema. "Se o Estado fizer parcerias […], consegue chegar muito mais rápido a essas pessoas [que não recebem política pública]. [Mas] não tenho fórmula definida."
