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Senado estuda política para atrair médicos ao interior do país

Os senadores querem estabelecer uma política de saúde de interiorização para atrair os profissionais médicos aos pequenos municípios brasileiros. Hoje, devido às vantagens salariais e comodidades, há uma concentração de médicos nos grandes centros urbanos.

Os senadores querem estabelecer uma política de saúde de interiorização para atrair os profissionais médicos aos pequenos municípios brasileiros. Hoje, devido às vantagens salariais e comodidades, há uma concentração de médicos nos grandes centros urbanos.

Como consequência, faltam profissionais de medicina no interior do país Esse debate foi levantado esta semana, em audiência no Senado Federal, com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Na ocasião, os parlamentares discutiram medidas para reverter esse quadro no Brasil.

O ministro disse que sua pasta está trabalhando em conjunto com o Ministério da Educação para incentivar o aumento da oferta de vagas nas faculdades de Medicina nas regiões onde há maior necessidade de médicos.  Ele também destacou a ampliação do programa Pró-Residência, que visa oferecer bolsas de estudo para residência médica em especialidades e regiões prioritárias, definidas pelos gestores do Sistema Único de Saúde (SUS).

“Em geral, o médico fica onde faz residência e especialização. Com o Programa Pró-Residência, vamos ampliar a oferta em especialidades mais necessárias e nas regiões mais carentes de profissionais – disse, citando a Pediatria como uma das áreas onde se verifica falta de médicos”.

Ao apoiar a iniciativa, o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) relatou dificuldades em manter médicos nos postos de saúde e hospitais do seu estado. E mostrando que a interiorização é uma demanda nacional, Casildo Maldaner (PMDB-SC) contou que, em Santa Catarina, a maioria dos médicos quer ficar em Florianópolis.

Já o senador Paulo Davim (PV-RN) disse que as atividades realizadas pelos profissionais de saúde deveriam ser incluídas como carreiras de Estado.
"No Brasil, tudo o que é prioridade vira carreira de Estado. Se incluirmos a saúde, ai sim seria um estímulo", opinou.  

O médico cardiologista José Antônio (nome fictício) também aposta na adoção de políticas de planejamento governamental e do serviço público brasileiro, para a atração e permanência desses profissionais nos municípios pequenos.

Atualmente, em Foz do Iguaçu, o médico considera fundamental a implementação de uma política de carreira do estado. Segundo ele, a medida permitiria, aos servidores públicos, não apenas os médicos (juízes, militares, professores, etc.) entre outros pontos, a elaboração de um projeto de vida profissional.

“Desse modo, os médicos recém-formados, por exemplo, têm condições de projetar à carreira, além de garantirem um retorno e assistência social, porque sabem que passarão apenas um período nessas cidades pequenas, se assim optarem, para depois seguirem para municípios maiores”, disse.

Segundo ele, mais de 90% dos médicos brasileiros são formados em cidades médias e grandes, acostumados com o acesso fácil à cultura, lazer e à educação (…) essa formação, diz ele, influencia diretamente a escolha da cidade e o ambiente de trabalho deles.

“Por experiência própria, pois já trabalhei em municípios com menos de 50 mil habitantes, como é o caso de Eunápolis, na Bahia, os médicos encontram muitas dificuldades, inclusive de transporte e de desagregação familiar, pela distância dos centros urbanos. Por isso, optam pelas cidades maiores”, analisou.

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