Novo cenário econômico no Brasil confirma tendência de queda da inflação e dos juros
A crise econômica global se aprofunda e a tendência no Brasil é de queda da inflação e dos juros - estes, devem subir nos EUA. Tudo indica que o crescimento mundial será ainda menor, com queda dos preços das commodities e falta de crédito. Caminhamos, efetivamente, para um cenário de redução da inflação e falta de crédito em nível internacional, o que nos levará a reduzir os juros no Brasil e não a aumentá-los como os de sempre exigiam até ontem. do blog www.zedirceu.com.br. Leia a seguir a íntegra do post.
A crise econômica global se aprofunda e a tendência no Brasil é de queda da inflação e dos juros – estes, devem subir nos EUA. Tudo indica que o crescimento mundial será ainda menor, com queda dos preços das commodities e falta de crédito.
Caminhamos, efetivamente, para um cenário de redução da inflação e falta de crédito em nível internacional, o que nos levará a reduzir os juros no Brasil e não a aumentá-los como os de sempre exigiam até ontem.
Aliás, na edição que chegou hoje as bancas a revista Época, totalmente fora da realidade, por pura oposição e/ou ideologia, repete esse mantra (elevação de juros) ao analisar a crise internacional. O mesmo vale para o câmbio, que já começa a se desvalorizar.
Entre nós, inflação e juros em queda
Essa será a tendência, como bem alertou essa semana o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, chamando a atenção dos investidores alavancados em dólares no mercado futuro para os riscos que correm ao apostar na desvalorização continua da moeda norte-americana.
Fazem-no sempre seguros de que o governo e o BC irão socorrê-los no caso de uma debacle do mercado nesse cenário econômico mundial absolutamente incerto – e agora, com rebaixamento da avaliação dos títulos do Tesouro americano.
Incerto, mas seguramente recessivo com juros (externos) mais altos, commodities em queda e crédito escasso ou simplesmente inexistente. Um cenário de crise como o de 2008, mas agora mais grave, já que as economias europeia e norte-americana estão feridas de morte.
Economias norte-americana e europeias feridas de morte
Elas não tem como emitir mais moeda e dar mais empréstimos, como deram aos bancos na crise anterior. Muito menos aumentar investimentos. Em 2009, os EUA já injetaram US$ 800 bilhões em sua economia para investimentos em infraestrutura e meio ambiente.
Como asseguraram essa semana a presidenta Dilma Rousseff (ontem), o ministro da Fazenda, Guido Mantega e o presidente do BC, nossa economia está preparada para enfrentar esse cenário e suas consequências aqui não serão graves como em outros países.
Entre nós, repito, a tendência sem dúvida será de queda da inflação e juros mais baixos, já que nós estamos preparados para enfrentar a crise com a possibilidade de usar no mercado interno as nossas reservas de US$ 350 bilhões, o correspondente a R$ 420 bilhões.
Estamos preparados e podemos usar reservas
Estamos preparados, realmente, para esse novo cenário de curto circuito no crédito internacional. Nossa economia está crescendo e tem investimentos públicos e privados suficientes para sustentar esse crescimento apoiado no mercado interno e na distribuição de renda, além de nosso mercado externo na região (América Latina).
É tocar para a frente, mantendo o rumo e sem ilusões com o resto do mundo. A propósito, eu gostaria que vocês lessem, também, Imbróglio externo traz ameaça, não tragédia (para assinantes), análise que o economista Celso Toledo, da LCA (consultoria) publica hoje na Folha de S.Paulo.
