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Oposição sem rumo, por José Dirceu

Leiam artigo do meu pai, José Dirceu, publicado hoje na Folha de São Paulo.

Leiam artigo do meu pai, José Dirceu, publicado hoje na Folha de São Paulo: 
 
Ao criticar as alianças de Dilma, Eduardo Graeff parece se esquecer de que o PSDB se alinhou com as mesmas siglas nos Estados que governa
Enquanto o Brasil avança com o PT no governo federal, a oposição demo-tucana permanece inerte, saudosa de um passado distante e perdida em seus próprios dilemas.
Sem propostas viáveis para o crescimento do Brasil, os velhos mandatários centralizam seus esforços em inúteis tentativas de desestabilizar o governo e o país, por meio de ataques sem provas ao PT e a seus militantes.
No último dia 23, fui grosseiramente atacado, nesta Folha, em artigo assinado pelo cientista político Eduardo Graeff, secretário-geral da Presidência da República no governo FHC. Graeff tomou versões mal-intencionadas e sem compromisso com a verdade para reembalar teses que há muito não encontram eco na sociedade.
Seu artigo "Aliados e companheiros" é uma coletânea desatualizada de equívocos e hipocrisias.
Graeff chega a dizer que, em 1998, eu teria arrecadado recursos em prefeituras para financiar campanhas do partido. Trata-se de uma mentira, de uma acusação que não se sustenta caso seja questionada judicialmente.
O episódio fantasioso se tornou público na investigação do assassinato do então prefeito de Santo André, Celso Daniel, e seu autor se retratou em juízo pelas falsas alegações. O ex-assessor tucano vai ao fundo do poço ao dar conotação política a um caso que, por duas vezes, ficou comprovado em inquéritos policiais se tratar de crime comum. Na tentativa de provocar estragos, investe até mesmo contra a imagem de Gilberto Carvalho, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência.
Graeff critica as alianças do governo Dilma. E parece se esquecer de que o PSDB se alinhou com essas mesmas siglas nos Estados que governa. O PMDB não está na base de sustentação da gestão de Geraldo Alckmin em São Paulo?
Antonio Anastasia não levou o PDT e o PSB para a base de seu governo em Minas Gerais?
E mais, o tucano mineiro não desmontou a oposição a seu governo ao tirar primeiro o PR da frente parlamentar Minas sem Censura, e agora o PMDB? José Serra, quando assumiu a Prefeitura de São Paulo, não nomeou prefeitos derrotados no Estado para as administrações regionais da cidade? Quer maior aparelhamento e uso da máquina do que esse?
Quando secretário-geral da Presidência, na hoje longínqua era FHC, parte das tarefas de Graeff não era ouvir reivindicações da base aliada a respeito da ocupação dos cargos públicos e de emendas parlamentares?
E agora vem o próprio Graeff questionar a legitimidade da participação dos partidos que apoiam o governo. Quanta hipocrisia!
Estamos dispostos a um debate mais profundo do que esse. Já realizamos as reformas da Previdência e do Judiciário e colocamos na pauta a Tributária e a do Código Civil.
Nos oito anos em que governou o país, o PSDB não foi capaz nem de apresentar uma proposta de reforma que pudesse corrigir erros históricos e estruturais de nosso sistema político-eleitoral e conter a forte influência do poder econômico em nossas eleições.
O tema também já está lançado com a reforma política. Nós, do PT, defendemos o financiamento público exclusivo das campanhas eleitorais, de forma a acabar com a contribuição direta a partidos ou candidatos e a anular a força do poder econômico na eleição. Somos favoráveis ao sistema proporcional misto, no qual o eleitor votará duas vezes: primeiro, na lista do partido de sua preferência, e depois em um candidato da própria lista.
Nossa posição é clara. Surpreende a fuga do PSDB a esse debate.
Para eles, talvez seja melhor atacar a honra alheia do que discutir questões realmente importantes para o país.

JOSÉ DIRCEU, 65, é advogado e ex-ministro-chefe da Casa Civil.

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