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A trajetória de Valtinho, prefeito de Cruzeiro do Oeste

O prefeito Valter Rocha, o Valtinho, de Cruzeiro do Oeste foi entrevistado pelo jornal Umuarama Ilustrado. Na reportagem Valtinho fala de sua trajetória política, dos laços de amizade que sempre nos uniram e da vontade de ver Cruzeiro do Oeste auto-suficiente na geração de empregos e na qualidade de vida. A história da família, dos amigos, dos filhos e sua experiência como empresário bem-sucedido.

 O empresário e prefeito de Cruzeiro do Oeste Valter Pereira da Rocha, o Valtinho, fez uma pausa em sua agenda para conversar com a reportagem do Ilustrado na última semana. A proposta de traçar o perfil do empreendedor de sucesso e político de destaque, foi facilitada pela maneira simples, clara e aberta como ele se expressa, fugindo completamente do estereótipo que se faz do grande empresário e do gestor público bem avaliado. 

À frente da Latco – que nada mais é do que a contração de Laticínios Cruzeiro do Oeste – desde o início da década de 70, quando sucedeu o pai no comando da empresa, Valtinho é a terceira geração de uma família de empreendedores e já formou a quarta. Os filhos Fabrício e Larissa assumem hoje grande parte da responsabilidade de dar continuidade dos negócios de um grupo muito bem posicionado nos competitivos mercados em que atua. 
A política aconteceu meio que por acaso. Mas ele se preparou para a vida pública quando, já próximo dos 50 anos e realizado como pai de família e como empresário, decidiu iniciar uma parceria com um jovem de menos de 30, o ex-prefeito e hoje deputado federal Zeca Dirceu. O resultado foi uma guinada na vida da cidade, que depois de décadas de estagnação voltou a crescer e prosperar. 
Crescer e prosperar, aliás, poderia ser o slogan da vida desse paulista de Araçatuba, 56 anos, quarto de nove filhos de uma família que migrou para o Noroeste do Paraná em 64, instalando-se inicialmente em Umuarama e depois em Cruzeiro do Oeste.
A conversa, em uma manhã de sexta-feira, durou quase três horas, divididas entre o gabinete de trabalho de Valtinho na Prefeitura e uma visita à Latco e à Latco Beverage, divisão do grupo que em cinco anos se tornou a maior envasadora da norte-americana Tampico no Brasil.
Falamos de família, negócios, política e economia. A conversa evoluiu da informalidade à emoção que provocam as recordações e os bons propósitos. Um convite à leitura. Acompanhe:

O que trouxe sua família ao Paraná?
Meu pai teve um pequeno laticínio como o meu avô lá em Araçatuba até ´60 e pouco`. Quando fecharam o laticínio, ele decidiu vir para o Paraná, para abrir um pequeno sítio que comprou em Santa Eliza. Em 64 então a família chegou em Umuarama, com o objetivo de derrubar o mato ´no machado´ e iniciar uma vida nova. Eu tinha 10 anos na época.
Meu pai se ocupava do sítio, minha mãe cuidava da família e eu logo comecei a trabalhar como office-boy em uma loja de calçados, a Rainha dos Calçados, que existe até hoje, embora com outros donos.
Começou cedo…
Cedo. Porque lá em casa era assim. Eu fui preparado pelo meu pai, que era um homem trabalhador, muito certo com suas coisas e me ensinou pelo exemplo. 
Nessa época eu ´catava´ tudo o que pudesse ser vendido como reciclável, garrafas, metal, fios de cobra, pra fazer um dinheirinho. Eu lembro que a primeira calça comprida que eu usei foi comprada com o meu dinheiro! Então, assim, eu aprendi a valorizar, a trabalhar e ir busca de algo mais, porque eu sempre quis ter uma vida melhor.
Tem uma passagem que eu goste de lembrar também é que, dos meus 10 aos 12 anos, eu ajudava a varrer o cinema, o Cine Guarani, pra assistir os filmes de graça. Até hoje gosto muito de cinema. Sempre gostei muito. Este é o meu hobby, meu passatempo.
Foi assim que o senhor aprendeu a ser empreendedor? 
Não tenho dúvida sobre isso! Meus primeiros brinquedos eu mesmo fazia… de pedacinho de madeira… de latinha de óleo (risos). Bolinhas de gude, eu ganhava dinheiro pra comprar meia dúzia, no máximo! Nunca tive dinheiro para comprar figurinha e ´fechar´ o álbum… eu conseguia ´batendo bafo´, jogando com a mulecada. 
Eu sempre andava muito com o meu pai e fui estimulado pelo exemplo. Eu vejo assim, não existe uma educação do tipo ´faça o que eu mando e não faça o que eu faço`. Quando você dá o exemplo, nem preciso mandar, porque o exemplo é educativo.
E quando surge Cruzeiro do Oeste na sua vida?
Em 66, meu pai quis montar um laticínio, uma coisinha pequena. Foi até a Prefeitura de Umuarama e lá foi aconselhado a procurar um outro lugar, porque em Umuarama era praticamente só café, não tinha gado de leite. E indicaram Tuneiras, ou Cruzeiro ou Cruzeiro do Oeste, que era onde já tinha pecuária.
Meu pai começou a prospectar, viemos a Cruzeiro, que eu sempre andava com o meu pai, desde muito pequeno, e aqui ele teve uma recepção muito boa por parte do prefeito. Aí, ele constitui a firma em 67, um pequeno laticínio, e no dia 4 de setembro de 67, começamos a recolher leite…
Essa data pra mim é especial e está ainda muito viva na minha lembrança. Na primeira saída que demos para recolher o leite, 125 litros, o meu pai, emocionadíssimo, falou assim: ´o dia que eu tiver 1.500 litros de leite por dia, eu sou um homem rico!`. E aí, fomos pros 1.500, pros 2.500, pros 5.000 mil, 10 mil, 20 mil… E eu pensava em 50 mil.
A Latco é o resultado direto dessa história..
Meu pai foi a segunda geração no ramo, eu sou terceira e meus filhos já formam a quarta. Hoje, passados 45 anos, nós temos oito unidades da empresa no Paraná e em Santa Catarina, e pegamos leite em 80 municípios, recolhendo em torno de 670 mil litros/dia. Então, você veja, em 45 anos, saltar do sonho de 1.500 litros para uma captação 670 mil litros diários é resultado de bastante trabalho! 
Em que momento o Valtinho assumiu mesmo a direção da Latco?
Eu sempre estive lado a lado com o meu pai. E em 73, o Tofinho (Aristofones Hatum) que era prefeito na época, um grande prefeito, talvez incompreendido na época, me procurou e estimulou a montar um projeto maior. Eu levei a idéia para o meu pai e começamos a trabalhar na ideia de montar um laticínio maior.
Até que em determinado momento, em 75, meu pai me chamou e disse: `tudo que precisar assinar, traz que eu assino. Vai atrás, eu assino e você toca`. Assim eu fui atrás de financiamento e nós mudamos a Latco da Avenida São Paulo para a Rodovia – na PR-323, onde hoje ainda funciona a fábrica de queijos -, com a planta já preparada para crescer.
E depois disso não parou mais…
Pois é! Em 81 fomos para Maripá e em 84 para Pato Bragado, na região Oeste, em 86 fomos para Realeza e em 89 para Francisco Beltrão, no Sudoeste, e assim fomos crescendo. 
Hoje a gente tem uma grande diversificação de produtos, produzindo o leite longa vida Latco, e também o achocolatado, o doce de leite e a linha de queijos com a marca Criolo. Nosso requeijão cremoso, inclusive, foi premiado recentemente em um congresso em Juiz de Fora (MG), onde tiramos o primeiro lugar. Pra mim isso é motivação a mais. Essa é a vitamina da qual eu me alimento, porque mostra que estamos no caminho correto. Os produtos da Latco são comercializados hoje em 11 estados, em praticamente todas as regiões do país.
E a Tampico?
Isso é estar no lugar certo, na hora certa. Eu sou uma pessoa que viaja muito, que valoriza muito a participação em congressos, seminários, feiras, procuro estar antenado no que está acontecendo. E em 2006, eu e um empresário paulista, o meu amigo Sergio Romeiro, estivemos nos Estados Unidos e conhecemos a Tampico e a oportunidade de trazer a marca para o país.
Hoje somos sete licenciados e a Latco Beverage – a divisão que criamos para essa parceria, se tornou a maior envasadora da Tampico no Brasil. Importamos o ´xarope´ e produzimos a bebida aqui em Cruzeiro do Oeste, comercializando no Sul do País e no Rio de Janeiro.
Trata-se de uma grande multinacional do setor…
A Tampico é a segunda bebida mais consumida nos Estados Unidos, está presente em toda a América Latina e também começando a chegar à Europa, trabalhando com sucos à base de frutas.
E qual foi a receita para construir, a partir de Cruzeiro do Oeste, um grupo empresarial tão sólido?
Não tem receita… Eu me considero um empreendedor. Aprendi isso com o meu pai. Quando eu chegava pra ele e dizia que ia comprar uma máquina, um equipamento para aumentar ou melhorar a produção, ele me dizia: ´você tem certeza? Então porque você não amplia ainda mais?`. Ele sempre foi muito otimista e a gente tem esse tipo de coisa.
Mas é uma história de muito trabalho. De toda a família. E aquilo que fazemos, procuramos fazer bem. Sempre foi assim. A gente sempre tem que ter um produto bom. Porque o produto bom pode ser vendido caro, ou barato. Já o produto ruim, às vezes nem barato você consegue vender. Essa é minha verdade: sempre procurar ter um bom produto. E nós temos uma equipe comprometida em fazer o melhor produto. 
E o programa da laranja no Município, como nasceu?
Isso já foi em decorrência da minha entrada na política. Eu só conhecia laticínios, mas me preparando para a campanha política (2004), quando aceitei o convite do Zeca, fui estudar o Município, conhecer melhor a realidade, e descobri que 65% das pessoas que frequentavam o Posto de Saúde, trabalhavam na cana. E fiquei pensando: e lá por 2015, quando a colheita manual da cana estiver proibida, onde estas pessoas irão trabalhar, qual será o impacto disso na vida dessas pessoas e do Município?
E aí, como vice-prefeito, eu fiquei como gestor de um programa de desenvolvimento econômico que nós chamamos ProGerar, que foi onde nós procuramos trabalhar um projeto de visão, que contemplasse esses problemas.
Aqui já tinha alguns pequenos produtores que viviam da laranja. Aí eu comecei a perguntar, a conhecer melhor e, Eureka!, tive a idéia de que a laranja era algo que a gente podia empreender, criar um programa grande pra Cruzeiro do Oeste.
A partir de 2006 fomos reunindo pequenos produtores rurais, levando para conhecer as experiências de Rolândia e de Paranavaí, que são os maiores produtores de laranja no Paraná, até que no ano seguinte, como fruto desse trabalho, nasceu a Associação dos Produtores de Laranja de Cruzeiro do Oeste, com 11 pequenos produtores que tinham 27 mil pés de laranja. 
Hoje são 23 produtores e 140 mil pés de laranja produzindo.
O senhor também se tornou produtor de laranja…
Conhecendo a realidade, eu me convenci realmente que era um bom negócio. Tão bom negócio que apareceram pessoas interessadas em iniciar uma empresa de maior porte. Assim nasceu a Citrospar, uma sociedade anônima que eu presido e que é formada por outros nove sócios. E a gente acredita tanto nisso que decidimos colocar também nossas mulheres e nossos filhos como sócios, para que esse empreendimento não pare, para que tenha continuidade, porque a fruticultura é o grande caminho para os pequenos municípios.
Qual a produção da Citrospar?
Este é o segundo ano de colheita e já crescemos 100% em relação a 2010 e em 2012 vamos crescer 150% em relação a este ano, quando nosso pomar de 630 mil pés de laranja vai estar produzindo plenamente.
Ainda é pouco, se compararmos com o Estado de São Paulo, onde apenas uma grande empresa tem 10 millhões de pés. O Paraná como um todo deve ter próximo disso, uns 8, 9 milhões, mas hoje Cruzeiro do Oeste já está no mapa, atrás apenas de Rolândia e Paranavaí.
E quais as perspectivas desse projeto?
Primeiro a gente precisa ampliar a produção, tanto na Citrospar como na Associação de Produtores, seguir se especializando, mas sabemos que não podemos ficar apenas na laranja, porque a gente aprendeu com a experiência histórica que a monocultura, seja ela qual for, não é um bom negócio.
Assim a gente também está buscando a diversificação, com a acerola, o abacaxi, a melancia. E eu não tenho dúvida de que a atividade vai crescer muito. A fruticultura já é hoje uma grande fonte de arrecadação para o Município.
Na questão da mão de obra, que a gente estava falando, nos próximos anos a produção de laranja e de outras frutas vai absorver com facilidade os trabalhadores que perderão a ocupação nos canaviais, porque com o fim da queima da palha da cana, vai entrar a colheita mecanizada. Na Citrospar, por exemplo, trabalhamos no auge da safra com 100 pessoas na colheita, serão 150 no ano que vem e aproximadamente 300 em 2013.
Então, foi uma visão de futuro, um empreendimento que deu muito certo. E Isso é muito estimulante pra mim, que vi na política a oportunidade de fazer algo de bom, de ajudar a melhorar a vida das pessoas.
Chegamos na questão: como surge o Valtinho político?
Eu me considero um homem realizado, em todos os sentidos. E já tinha tido uma experiência em 77, 78, quando fui vereador, mas a maneira como as coisas funcionavam naquela época não me agradou eu fiz a opção de cuidar da minha empresa, que estava em um momento de crescimento.
Até que um dia, em uma conversa com o Zéca, que é amigo do meu filho Fabrício desde a adolescência, ele fez uma colocação que me fez pensar. Ele me disse: ´Valtinho, na sua opinião, com a sua experiência, onde foi que Cruzeiro do Oeste errou estes anos todos, que deixou de crescer?`. 
Aí eu respondi pra ele, Zeca, o grande erro é que quem ganha na política, não leva. Porque quem perde é amigo do governador ou do deputado e não deixa fazer as coisas. Eu disse isso porque nós vivemos aqui uma época em que a primeira coisa que quem perdia fazia era correr pra Curitiba, pra fechar a porta pra cidade. Esse então era pra mim o grande ponto. Eu achava que, se juntasse todas as forças políticas, e trabalhasse em cima de um projeto, um programa, poderia dar certo.
E me disse: `você topa sair como meu candidato a vice, pra gente não repetir os mesmos erros e fazer a coisa certa?`. E foi aí que vi a possibilidade de ajudar, de fazer parte de uma coisa nova, de contribuir, de ajudar a cidade que acolheu tão bem a minha família, aonde a gente se instalou e tivemos sucesso.
E a gente tem conseguido fazer aquilo que nós propusemos lá atrás. Todas as ações que temos feito é no sentido de melhorar a vida das pessoas. 
Eu fui vice de 2004 a 2008, novamente vice e acabei assumindo agora em abril de 2010, quando o Zeca se licenciou para a campanha vitoriosa a deputado federal.
O que o senhor destaca nesse período?
A humanização. Tudo o que fizemos veio no sentido da valorização da pessoa humana. Trabalhando bastante para recuperar a auto-estima das pessoas, para que elas voltassem a acreditar na cidade em que vivem. Como gestor público, eu tenho a minha atuação, a Prefeitura faz a sua parte, mas o sucesso depende das pessoas, da população. A gente trabalha, implanta programas, projetos e investimentos na esfera pública, mas são as pessoas que constroem, que modernizam suas empresas, seus negócios, criam novos empregos, que melhoram seus imóveis, que fazem uma pintura, uma muro e uma calçada novos, que dão aquele novo ar para a cidade.
Mas a partir do momento em que as pessoas vêem que a sua cidade está bem administrada, ela se sente bem e estimulada a investir. É assim que funciona e a gente tem visto acontecer dia a dia.
Quando assumimos, em 2005, a inadimplência do IPTU era de 65, 70%
porque as pessoas não acreditavam na administração, não acreditavam no Município. Não acreditava porque não via ações que justificassem ela gostar.
Hoje, você lança o IPTU e com menos de 60 dias o Município já recebeu mais de 65%. E as pessoas pagam por que estão vendo o retorno daquilo que estão pagando.
E a partir do momento que isso mudou, a atitude da população também mudou. Essa recuperação da auto-estima foi a grande transformação, que nós conseguimos, não tenho a menor dúvida.
O senhor é candidato nas próximas eleições?
Olha, eu estou bastante entusiasmado! A gente começou um projeto, conseguimos dar grandes passos, mas ainda tem muito a fazer, principalmente porque a gente planejou lá frente e tem muita coisa ainda pra acontecer. 
O senhor considera que pegou o jeito da coisa?
Estou aprendendo ainda. Respeitando as pessoas, respeitando os partidos… O que eu posso dizer que aprendi é que, aquilo que pra mim, às vezes, não é tão importante, pra outra pessoa é muito importante. Então eu tenho de ajudar as pessoas a realizar, mesmo aquilo que pra mim, pessoalmente, não seja tão importante. Isso eu aprendi e a gente vai aperfeiçoando esse aprendizado. Nós temos feito ações para o pequeno, para o médio e para o grande. Quando eu recebi o convite vi a oportunidade de colocar boas idéias em prática e estamos conseguindo, então eu posso dizer que eu e o Zeca fomos felizes na nossa parceria com Cruzeiro do Oeste.
E como é seu dia a dia, com a administração, a família e a empresa?
Meu dia é de 26 horas, porque eu pego com muita dedicação. O trabalho é uma obsessão pra mim. Acordo sempre antes das seis e procuro fazer tudo da melhor maneira. É claro que pra isso você tem que contar com uma equipe, com pessoas preparadas pra te ajudar. E eu tenho isso tanto na empresa como na administração.
Na empresa eu tenho minha e família e os colaboradores e aqui na Prefeitura nós temos uma equipe de secretários comprometidos com o mesmo ideal e o funcionário público também comprometido com a administração. Isso é fruto de respeito, de tratar bem, de sentir que sua carreira, que sua vida está melhorando. Então a gente tem esse suporte e as coisas ficam mais fácil e o sucesso é de todos. 
A área empresarial é dinâmica, enquanto o setor público é mais burocrático. Isso não angustia?
Eu aprendi a aceitar. Aprendi a lidar com isso, porque já sei que tenho que planejar, preparar. Hoje nós estamos executando muitos projetos que foram planejados lá em 2010… Hoje já não me angustia mais. Tem coisas que eu sei que precisavam acontecer em uma velocidade maior, mas tudo que é possível fazer, nós estamos fazendo.
Como o senhor se define como político?
Quando eu era rapaz, ia nas festas e nas quermesses, e estava ali comendo um pedaço de frango, tomando um guaraná, um coisa que sempre me incomodou era ver as crianças olhando, sem poder comprar. Então, eu achei que na vida pública eu podia ajudar, não dando as coisas simplesmente, mas viabilizando o trabalho, preparando para o trabalho que é a base. Sempre foquei muito a questão do emprego. Quem tem trabalho, recebe seu salário e vive melhor. Eu na minha vida sempre busquei o melhor.
E vejo que foi isso que o Governo Lula conseguiu também, assegurando o trabalho e melhorando a renda, o que fez surgir um círculo virtuoso na economia, onde as pessoas trabalham, ganham melhor e consomem mais, o que faz as empresas crescerem e contratarem mais. Então eu sou muito feliz por fazer parte destas conquistas, que mudaram Cruzeiro do Oeste e o Brasil pra melhor.
E como empresário, como o senhor se define?
Me sinto feliz, realizado e estimulado a continuar. Eu idealizei onde queria chegar e cheguei. Nós estamos com 45 anos de empresa e, com meu irmão e meus filhos, nós já sabemos onde vamos estar quando a empresa estiver com 50 anos, lá em 2016. Nós temos esse planejamento. Isso tudo porque a nossa maneira de trabalhar é simples, porque as dificuldades hoje são as mesmas de quando nós tínhamos lá no início, quando meu pai recebia 1.500 lts/dia, que era o sonho do meu pai, e hoje nós recebemos 670 mil.
É a mesma dificuldade, ampliada. Os leões que a gente tinha de matar naquela época, são os mesmos leões de hoje. E foi assim, como muito trabalho, que a gente conseguiu crescer de forma contínua, segura, organizada.

É essa realização que deixa o senhor com uma visão otimista?
Muito otimista. Eu não me lembro de ter caído e ter chegado até o chão. Antes de bater a cabeça no chão eu já me levanto e sempre estou pronto para os desafios. Minha vida tem sido uma vida de muita determinação. E assim como eu digo que preparei os meus filhos, é porque eu também de certa maneira fui preparado pelo meu pai.
Então, nada é por acaso. Eu fui preparado pelo meu pai e pela minha mãe, através de uma educação muito correta, na família da minha mulher também foi assim, e nós implantamos isso com os nossos filhos e graças a Deus deu muito certo. Pra mim, o céu é sempre azul.
 

Sonhos realizados e o ideal de crescer

Valtinho se casou com a esposa Dulcinéia em 1975, quando tinha 21 anos. Juntos eles planejaram ter dois filhos e fazer dos filhos os continuadores do resultado do seu trabalho. “Esse é um dos muitos sonhos que eu consegui realizar”, diz ele emocionado, contando como a esposa e os filhos o ajudam, junto com o irmão, a gerencia a Latco, a Latco Beverage e a Citrospar, um conglomerado que coloca seus produtos em todo o Brasil e emprega perto de mil colaboradores.
E tudo isso – revela Valtinho – começou em um sonho revelado aos amigos, na adolescência.
“A gente saia da aula, a noite, e ficava ali na calçada do antigo Bamerindus, onde hoje é o HSBC, batendo papo com os amigos. E uma noite, a gente esta conversando sobre as meninas, sobre namorada, e eu disse pra eles: eu quero me casar com uma mulher meiga e carinhosa, e apontei para a Dulcinéia, então uma colega da escola, que estava passando na calçada do outro lado da rua. Isso me valeu por muitos anos o apelido de ´meigo sonhador`, porque eu já era meio ´feinho´ e ela sempre foi uma mulher muito bonita! Mas este meigo sonhador realizou o seu sonho (risos)”.
Assim como ele se preparou, os filhos Fabrício, 33, e Larissa com 31 anos, também foram preparados para o trabalho e para a vida. 
“Eles foram bem preparados. Primeiro foram trabalharam fora, em São Paulo, para ganhar musculatura, como eu costumo dizer, para levar tapa na barriga pro couro endurecer. Foi um aprendizado muito grande pra eles. Eu e minha mulher sempre tivemos esse sonho. Nosso projeto de vida era ter um casal de filhos e que os filhos continuassem o nosso trabalho. Então esse é um sonho realizado”. 
Fabrício hoje cuida da parte parte gerencial e estratégica da Latco, enquanto Larissa responde pelas compras, RH e Marketing, e a esposa cuida da parte financeira da Tampico. O irmão e sócio cuida da parte financeira da Latco.
Outro ponto de orgulha para Valtinho é sua equipe de colaboradores. “Minha filha contratou recentemente uma consultoria de recursos humanos para avaliar o grau de satisfação dos funcionários e no final o consultor ficou surpreso. eu não!”, diz ele.
“Nós temos funcionários de 30, 25, 20, 15 anos. Isso é comum na Latco. Temos funcionário que se aposentou e tem seus filhos e seus netos trabalhando conosco. Então, nós acreditamos neles e eles acreditam em nós.
É como na cultura japonesa, em que o dono da empresa sonha ver seus filhos seguindo o negócio, e o trabalhador sonha ver seus filhos empregados naquela empresa. Nós conseguimos isso.
E a estas alturas do campeonato, Valtinho ainda teria a palavra final nos negócios? “Eu sou ouvido, mas a gente ´se bate bem´ (risos). Porque também eles são muito competentes. Posso ter a palavra final, mas eu também sei ouvir e acatar. 
E faltavam duas perguntinhas, pra terminar. Além de tudo isso, o que serve de inspiração? “Ainda adolescente, eu li um livro de Richard Bach chamado “Longe é um lugar que não existe”. Essa frase, eu acredito, sintetiza tudo o que eu tenho sido e procuro ser. Tem muito a ver com a minha vida, com a minha personalidade, porque ela mostra que as coisas são possíveis, podem ser alcançadas, basta acreditar, trabalhar, ir atrás”. 
E o que Cruzeiro do Oeste pode esperar ainda do Valtinho? A resposta veio rápida, sem pestanejar: “muito trabalho”. E a emoção bateu. Hora de terminar.

Fonte: Umuarama Ilustrado

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