Os pequenos também têm vez
Leiam esse artigo divulgado no Portal Energia Hoje que mostra uma realidade desconhecida por muitos: a relevância das micro e pequenas empresas no ramo petroleiro nacional.
Leiam esse artigo divulgado no Portal Energia Hoje que mostra uma realidade desconhecida por muitos: a relevância das micro e pequenas empresas no ramo petroleiro nacional.
Engana-se quem pensa que fornecer para a Petrobras é tarefa apenas para grandes. Das 89 mil companhias que venderam algum produto ou serviço para a petroleira nos últimos dois anos, 64 mil eram micro e pequenas empresas (MPEs) que nem sequer integravam seu cadastro. Outros 20 mil negócios foram fechados com fornecedores que estão no cadastro regional, ou Registro Local. Apenas 5 mil empresas – cerca de 6% do total – vieram do cadastro corporativo da petroleira (CRCC), que reúne os maiores fornecedores.
As MPEs, além de vitais no apoio a operação e administração das unidades da empresa pelo país, também sustentam toda a cadeia de suprimento. “Todas as grandes empresas que fornecem para a Petrobras dependem delas”, acentua o gerente Geral de Desenvolvimento Estratégico do Mercado Fornecedor de Bens e Serviços da Petrobras, João Rittershaussen.
Por isso, para expandir a base do fornecimento à cadeia e desenvolver o pequeno empreendedor, Petrobras e Sebrae firmaram, em 2005, um convênio para capacitar e inserir as MPEs na indústria do petróleo. Atualmente em sua segunda edição, o convênio prevê investimentos de R$ 66 milhões até 2014 na qualificação de empresas e na promoção de eventos para aproximar o setor dos grandes contratantes. As ações vão desde orientação até treinamentos em gestão de qualidade e SMS. “Em geral, a pequena empresa não está no nível exigido pela Petrobras”, aponta o gestor do convênio na petroleira, Ernani Turazzi.
A rigor, o cadastramento no Registro Local da Petrobras requer apenas regularidade fiscal, solvência financeira e tradição no mercado. Entretanto, a qualificação em gestão pode ser um diferencial decisivo. “Um contrato mal atendido pode implicar até exclusão do cadastro”, destaca Turazzi.
Demandas regionais
O trabalho é realizado por meio de projetos regionais, que visam atender uma determinada unidade operacional da Petrobras. Pode ser uma instalação existente que enfrenta problemas de fornecimento ou uma nova que precisa montar uma base de fornecedores do zero, como a Rnest, em Pernambuco.
É feito, então, um cruzamento das necessidades da unidade da Petrobras com um diagnóstico da cadeia de bens e serviços local. Os potenciais fornecedores são identificados na base da Receita e convidados. A partir de uma avaliação dos participantes são montadas ações, que incluem treinamento, apoio financeiro, inovação e articulação com o mercado.
Uma das metas dos projetos é reduzir o número de itens de baixa competitividade numa região, aumentando o número de fornecedores locais. “A Petrobras quer sempre um mínimo de três fornecedores para cada item, e muitas vezes esses itens são escassos em determinada região”, explica a analista de Atendimento Coletivo do Sebrae, Eliane Borges.
Capacitação e cadastro
O convênio já computou 34 projetos, dos quais 20 ainda estão em andamento. Eles envolvem 11.641 MPEs, que atuam em áreas como manutenção industrial, inspeção, automação, construção civil, TI, pintura industrial, engenharia e até papelaria e franquias de correio. Na maioria dos casos as empresas desconhecem as oportunidades ou não creem que possam participar desse mercado.
Cerca de 3 mil dessas empresas receberam algum tipo de capacitação, como treinamento em SMS, empreendedorismo e responsabilidade social, ou apoio financeiro e ao desenvolvimento tecnológico. A capacitação é desenvolvida especialmente para a MPE que vai atuar dentro de uma unidade Petrobras.
A orientação para se cadastrar na Petrobras é outra ação do convênio. De acordo com Turazzi, as empresas que passam pela capacitação dificilmente saem do cadastro. “É mais fácil que elas evoluam do Registro Local para o CRCC”, comenta.
No balanço do período 2008-2011, foi registrado um aumento médio de 25% no número de empresas cadastradas na Petrobras e de 29% na Onip entre as que participaram dos projetos de capacitação. O Sebrae estima que pelo menos 800 empresas entraram em um dos cadastros.
Já as ações de articulação com o mercado, como feiras e eventos, abrangem todas as empresas do convênio.
Rodadas de Negócio
Apesar de ser anterior a 2005, a reunião entre empresas âncoras e MPEs em Rodadas de Negócio foi integrada ao convênio. Somente nos últimos três anos foram organizadas 65 rodadas, que somaram R$ 3,09 bilhões em expectativa de negócios. Participaram das rodadas 232 empresas âncoras e 28 unidades da Petrobras.
Outra iniciativa incorporada ao convênio Petrobras-Sebrae foi a formação das associações regionais de fornecedores da cadeia de óleo e gás – as Redes Petro. Com apoio do convênio foram criadas 11 das 16 Redes Petro do país. Nas regiões onde elas já existiam, o convênio atua provendo treinamento, traçando estratégias e organizando eventos voltados para os associados.
Segundo o consultor da Petrobras, Raul Paiva, as Redes Petro são mais um vetor de desenvolvimento do mercado. “As redes facilitam a capacitação do pequeno fornecedor ao criar um ambiente no qual podem se relacionar com grandes empresas.”
Fonte: Portal Energia Hoje
