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NEM PAULISTA NEM FARIA LIMA

Confira o texto de Benjamin Steinbruch, na Folha de São Paulo, sobre as verdades e invenções de 2013 em relação ao crescimento da economia do Brasil. Vale a pena!

 

Lá se vai 2013 e com ele um ano cheio de polêmicas. Uns afirmam que o Brasil vai muito mal, ameaçado por inflação, descontrole fiscal e baixo crescimento. Outros garantem que a economia está até bem se comparada com as de outros países no atual cenário de crise global.

Qualquer observador atento diria que a maior virtude da economia brasileira neste ano foi a geração de empregos. Apesar do PIB fraco, segundo estimativas, o país criou 1,5 milhão de postos de trabalho em 12 meses, excelente resultado se o parâmetro for a União Europeia, por exemplo. O índice de desemprego aqui é de 5,2%, o mais baixo da série histórica do IBGE.

Muitos colocariam o resultado fiscal entre os pontos negativos do ano. Eu, não. Há excesso de gastos — não com investimentos, infelizmente — e isso exige mais controle. Mas o setor público deve ter ainda superavit primário superior a 2% do PIB e deficit nominal de 3% do PIB. Isso num momento em que o deficit é de 4% nos EUA, 8% no Japão, 7,2% no Reino Unido, 7,1% na Espanha e 5,2% na Índia. Deve-se alertar para a tendência de piora nessa área, e, se isso ocorrer, combater fortemente.

Também é preciso admitir que, apesar de alguns tropeços, o ano terminou bem na área das concessões.

No primeiro leilão do pré-sal sob a vigência do novo marco regulatório para a exploração de petróleo, o campo de Libra foi arrematado por R$ 15 bilhões.

Depois, ocorreu a concessão dos aeroportos do Galeão, no Rio, e de Confins, em Minas. Foram mais R$ 20,8 bilhões faturados no leilão de novembro, embora esse dinheiro deva ser pago ao longo dos anos. Mais que os recursos financeiros, porém, o que conta é a modernização das instalações aeroportuárias do país, deixadas durante décadas nas mãos da burocrática administração estatal. Caberá ao Estado, agora, a atuação reguladora para que os investimentos nesses aeroportos, assim como em Cumbica e Viracopos, já concedidos anteriormente, sejam realizados de acordo com os editais.

Também foram bem as concessões de rodovias, em três leilões, principalmente o da BR-163 de MT (hoje será leiloada a BR-163 de MS), importante canal para o escoamento da produção de grãos.

O observador imparcial se obriga a constatar a vulgarização da violência no país em 2013, nas manifestações públicas, nos crimes em grandes centros urbanos e até nos estádios de futebol. Cenas deploráveis foram repassadas para o mundo, como a de mascarados quebrando o patrimônio público e privado e a de torcedores massacrando torcedores. No caso das manifestações, ocorreu uma inexplicável inercia de algumas autoridades. Nota zero para o Brasil nesse quesito em 2013.

O crescimento da economia decepcionou mais uma vez. Começamos o ano com a expectativa de crescer 4%, mas aos poucos as projeções murcharam. O PIB vai crescer pouco mais de 2%, índice próximo da média mundial, mas insuficiente para um país ainda pobre e desigual como o Brasil. A produção industrial deve se expandir também 2%, índice que não recupera o setor do tombo de 2,16% em 2012.

A inflação preocupou, mas termina o ano mais comportada, em nível inferior ao previsto inicialmente pelo mercado financeiro e abaixo do teto da meta do Banco Central.

Frustrante foi a volta dos juros para o nível de dois dígitos –o Brasil está de novo entre os países com as taxas mais altas do mundo. Também decepcionou a oferta de crédito pelo setor financeiro privado, que não teve crescimento real e foi compensado pela maior agressividade dos bancos públicos.

Pena que o ano tenha sido também tão decepcionante para o mercado de ações. As companhias abertas, financeiras ou do setor produtivo, até apresentaram resultados positivos, mas a perda de confiança foi preponderante. Sem um mercado de capitais robusto, fica difícil sustentar o investimento privado.

Num balanço honesto, precisam ser colocadas todas essas variáveis. Não foi o ano da esperada e necessária recuperação econômica, mas também não se pode considerá-lo um desastre. Um funcionário do governo, não identificado, disse na semana passada que o mau humor dominante no ano veio "da Paulista e da Faria Lima". Na verdade, não de toda a Paulista e nem de toda a Faria Lima.

BENJAMIN STEINBRUCH – Folha de S.Paulo. 

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