Programa de estímulo a indústria automobilistica é muito bem sucedido, diz Mantega
Em maio, governo reduziu IPI de veículos para estimular setor e evitar demissões.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse, nesta quinta-feira, que o programa de estímulo à indústria automotiva é muito bem sucedido e que o setor cumpre com o combinado. “O grande objetivo do governo é a manutenção do emprego e o setor automobilístico esta cumprindo a sua parte”, avaliou.
Durante coletiva de imprensa, concedida após reunião com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e representantes da General Motors no Brasil, o ministro fez uma avaliação do resultado da medidas adotada em maio, quando reduziu o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos. Na época, o cenário era de queda nas vendas e acúmulo dos estoques.
“A redução do IPI veio para evitar um processo de demissões, dar competitividade à indústria e impulsionar o mercado, que tinha se contraído em função da crise internacional”, explicou o ministro.
Segundo Mantega, em contrapartida à redução do imposto, a indústria se comprometeu a não demitir, aumentar o nível de emprego e manter os programas de investimentos. “Fizemos um pacto com a indústria automobilística”.
Além disso, na ocasião, o governo estava preocupado com a continuidade dos projetos da indústria automobilística, que tem grande peso na economia brasileira. “Entre 2012 a 2015, os programas de investimento do setor no Brasil estão na ordem R$ 22 bilhões e isso só vai ocorrer se o mercado de veículos continuar crescendo”, ponderou.
Aos jornalistas, o 1º vice-presidente da Anfavea e diretor de Assuntos Institucionais da GM/ Brasil, Luiz Moan Yabiku Junior, afirmou a disposição da indústria em cumprir todos os compromissos assumidos com governo federal, inclusive a manutenção do emprego.
Números do setor
De acordo com os números apresentados pelo ministro, a partir da redução do IPI, houve uma reação forte no mercado e, em junho, 353 mil veículos foram vendidos, frente a 280 mil em maio. “Os números de julho ainda não estão fechados, mas a previsão é a venda de 360 mil carros. Se os números se confirmarem, será o melhor julho de toda a série histórica”, comentou.
Guido Mantega também apresentou números sobre a geração de empregos no setor. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que, em junho, a Anfavea gerou 1900 novos postos de trabalho.
Pelos dados da Anfavea, em maio, o total do emprego no setor era de 144.900; em junho, esse número aumentou para 146 900. “O saldo é positivo, verificando-se o aumento na geração de postos de trabalho. Portanto, foi cumprido o compromisso de não demissão e geração de empregos”.
Mantega ainda informou que foi feita a verificação dos números da GM e também se constatou saldo positivo. “No conjunto das fábricas no país, há um aumento de empregos”.
Sobre o caso de São José dos Campos (SP), o ministro disse se tratar de um problema localizado e que não cabe ao governo intervir. “O que nos interessa é que a empresa está contratando”.
Prorrogação do IPI
Questionado pelos jornalistas se o governo irá prorrogar a redução do IPI, Mantega disse que, nesse momento, não se cogita a prorrogação a partir de 31 de agosto.
Autopeças
Perguntado se o governo pretende tomar alguma medida para estimular a indústria de autopeças, o ministro lembrou que este setor é o que sofre mais com a retração internacional. Entretanto, o setor está se beneficiando com o câmbio mais desvalorizado; a desoneração da folha, que fará cair o custo de mão de obra; e, a partir de janeiro, entrará em vigor a Resolução 72 do Senado federal, que vai proibir os estímulos que alguns Estados davam para o produto importado por meio do ICMS. “A indústria de autopeças tem vários benefícios em curso, de modo que a situação vai ser revertida”.
Motocicletas e caminhões
Sobre a extensão da redução de IPI para motocicletas e caminhões,Mantega informou que já não há incidência de IPI sobre esses dois produtos. “No passado, reduzimos o imposto para caminhões, por serem bens de capital. No caso das motos, o problema não é de tributos, mas de crédito, pois os bancos se retraíram”, explicou Mantega, acrescentando que o governo está trabalhando para estimular o crédito e retomar as vendas de motocicletas.
